Até um macaco consegue usar redes sociais. Agora pense: será que o macaco é inteligente igual um ser humano? Ou será que a inteligência do ser humano está sendo reduzida ao nível de um macaco? Será que as redes sociais estão nos tornando burros e incapazes de pensar? Tente imaginar um universitário de cem anos atrás e um universitário de hoje. Cem anos atrás existiam menos distrações. Quem será que tinha melhor capacidade de foco e habilidade em ler livros? Para entendermos melhor, precisamos conhecer o livro Amusing Ourselves to Death, de Neil Postman, cuja tradução seria equivalente a “Divertindo a si mesmo até morrer”.
O uso excessivo das redes sociais está prejudicando nossa inteligência e capacidade de pensar de forma independente. Por isso é importante fazer um esforço consciente para consumir informações de forma mais inteligente.
Pegue o seu celular e vá no relatório de tempo de uso para ver como você utiliza seu tempo na internet. Quanto tempo você gasta todo dia no Whatsapp, Instagram, TikTok, YouTube, Telegram e outros aplicativos de redes sociais? Veja como as redes sociais se tornaram uma parte integrante de nossas vidas diárias. É o ato de deslizar rapidamente pelo feed, é o consumo daqueles vídeos curtos de 15 segundos um depois do outro, são os grupos de mensagens em que ficamos conectados com centenas de pessoas, porém sem uma única conexão de verdade. São aquelas redes sociais de fotos que você só precisa olhar, não precisa pensar. E aqui está o problema.
Atenção: este é apenas o resumo de um livro. Leia o aviso completo antes de continuar.
1. As redes sociais treinam o seu cérebro para não pensar. Por isso fica difícil de raciocinar quando é necessário.
Estamos sendo bombardeados a todo momento por uma tempestade de informações rápidas e superficiais que são fáceis de consumir e não nos fazem pensar.
Na verdade, é pior do que isso. O problema não é simplesmente não precisar pensar para consumir esse tipo de conteúdo. O problema é que além disso, ao consumir muito conteúdo em redes sociais estamos sofrendo uma gradual atrofia no nosso cérebro. É um processo de emburrecimento sistemático.
De forma semelhante como um músculo fica atrofiado e fraco quando você não usa ele por muito tempo, o cérebro também perde capacidade quando não é desafiado. As redes sociais não exigem que você pense muito: elas apenas te dão uma gratificação instantânea para que você passe cada vez mais tempo usando o aplicativo. Esse é o modelo de negócios delas, pois é assim que você gera dados para as redes sociais, que vendem essas informações para anunciantes.
Quanto mais você usa redes sociais, mais fica dependente desta gratificação instantânea. Sabe quando você acorda e já logo pega o telefone para “dar uma olhadinha no que aconteceu, no que tem de novo”? É isso. E com tanto conteúdo superficial, nossa capacidade de pensar de forma independente e crítica está sendo corroída.
Se você não consegue mais se concentrar para terminar um livro, ver um filme completo ou até mesmo ler um simples artigo na internet, provavelmente já está sendo afetado pelas redes sociais. Se você sente ansiedade, medo de estar perdendo algo ou simplesmente tristeza ao comparar a sua vida com o que vê nas redes sociais dos outros, também já está sendo vítima desse mal do mundo moderno.
Por isso, não vamos ficar apenas no resumo do livro de Neil Postman. A série Resumo Arata Academy não é sobre literatura, é sobre ações práticas que você pode realizar usando ideias valiosas dos livros que resumimos. Por isso, aqui vai uma atividade prática. Pegue papel e caneta e faça um trabalho de investigação. Abra a sua rede social favorita e pesquise atentamente o que está sendo empurrado para você no seu feed. Quais são as recomendações de conteúdo do algoritmo? Não estou falando de listas específicas de conteúdo filtrado nem de mensagem privada. Estou falando do feed geral para você explorar a plataforma, que normalmente é gerado por um algoritmo.
Anote quais são as categorias de conteúdos com maior visualização. Tente entender qual é o padrão geral. Provavelmente você verá que são imagens e vídeos que despertam instintos primitivos e pouco raciocínio: escândalos, pessoas brigando, gente seminua dançando, fotos de comida, vídeos de lugares para viajar, bichinhos fofos, truques de mágica, pegadinhas e situações engraçadas para dar risada. É isso o que bomba nas redes sociais, é isso que viraliza. Qual é o motivo? Tudo isso é material de consumo imediato passivo e que não exige pensamento crítico ativo. Até um macaco consegue usar um celular para rolar o feed e favoritar conteúdo que gosta mais.
O meio é a mensagem, e a forma como consumimos informações é tão importante quanto as informações em si. Quando lemos um livro, nosso cérebro pensa de forma diferente, de forma mais lenta e profunda. Por outro lado, as redes sociais tentam super estimular o cérebro através de uma rajada sequencial de vários vídeos curtos que te deixam viciado em sempre olhar o próximo clipe e de repente passou meia hora e aquilo não agregou nada de valor na sua vida (você sabe de qual rede eu estou falando…).
2. Quando você entende que o meio é a mensagem, você começa a ver como as redes sociais estão derretendo o seu cérebro.
A ideia de que “o meio é a mensagem” foi desenvolvida por Marshall McLuhan, um teórico da comunicação canadense. Significa que a forma como consumimos informação é tão importante quanto a própria informação. Por exemplo, quando lemos um livro, nosso cérebro pensa de forma diferente comparado a quando somos expostos ao mesmo tipo de ideias deste livro, porém no formato de vídeos curtos que viralizam nas redes sociais.
Deixa eu explicar: quando a gente lê um livro, o cérebro precisa trabalhar para entender a história e o significado por trás dela. Você pode ver os vídeos da série Aprender Arata que falam sobre como o cérebro funciona. Quando a gente fica apenas assistindo vídeos passivamente, a história já está exposta bem na nossa frente e não requer muito esforço para entender.
Isso pode parecer conveniente, mas na verdade não é nada bom. Porque quando a gente assiste vídeos, tudo é feito para chamar a nossa atenção e prender a gente. A linguagem usada é simples e não precisa pensar muito. Lembre: o objetivo é fazer com que você passe o maior tempo possível naquela rede social, gerando dados para eles venderem depois. É por isso que os vídeos que viralizam são tão viciantes, mas também não são muito estimulantes intelectualmente.
E não é só a forma como consumimos informação que está mudando. É também como percebemos as pessoas. Duzentos anos atrás, quando alguém escrevia alguma coisa, o foco estava na qualidade das ideias. Mas agora, com vídeos, a gente se preocupa mais com a aparência delas e nem presta tanto atenção nas ideias. É por isso que alguns influenciadores conquistam mais audiência, mesmo sem ter um grande conteúdo. O algoritmo privilegia quem tem mais carisma e presença diante da câmera e não necessariamente quem tem as melhores informações. Este é o risco de valorizarmos mais a aparência em vez de ideias e criatividade.
O meio é a forma como consumimos informação. O meio molda a nossa percepção do mundo. E além disso o meio também molda a nossa capacidade de pensar criticamente. A mídia dominante de qualquer época molda a forma como pensamos e nossa percepção do mundo.
Duzentos anos atrás, o discurso público era feito com livros, artigos de jornais e panfletos impressos. As pessoas liam, refletiam e discutiam escrevendo outros livros, artigos e panfletos de resposta. Os debates eram profundos e você só vencia se os seus argumentos tivessem bom embasamento. O carisma tinha um papel muito menor.
Os Papéis Federalistas foram escritos mais de duzentos e cinquenta anos atrás por Hamilton, Madison e Jay nos Estados Unidos. Duzentos e cinquenta anos atrás. Dê uma cópia dos Papéis Federalistas para o político mais popular, mais bem votado hoje em dia. Ele será incapaz de argumentar, sequer de entender o que está escrito.
Um estudante universitário de hoje toma de lavada em capacidade de leitura e escrita e até de domínio de vocabulário básico se for comparado com um estudante universitário de dois séculos atrás. Um universitário padrão de hoje seria escorraçado de uma universidade de duzentos anos atrás, seria considerado um analfabeto funcional. Por que será?
Para entender, lembre que o meio é a mensagem. O meio molda nossa percepção de mundo. O meio molda a nossa capacidade de raciocínio. E qual é o meio que temos hoje em dia? Qual é a mídia mais presente na nossa vida, desde o momento que a gente acorda até a hora de ir dormir?
É o celular apitando notificações de novidades nas redes sociais. E quando você abre para ver do que se trata, são geralmente mensagens curtas, superficiais, que mexem mais com as nossas emoções do que com o intelecto. É muita baixaria, memes engraçados, pessoas xingando umas às outras por causa de polarização, pessoas hipnotizadas pelas ideologias. Nada disso é por acaso. As redes sociais foram projetadas para empurrar conteúdos que apelam para os nossos instintos mais primitivos de conflitos, sexo e sobrevivência. É assim que elas nos prendem por cada vez mais tempo em seus aplicativos.
3. Nossas informações vêm de uma mídia que até um macaco consegue usar. Será que o macaco é inteligente como um humano? Ou nós ficamos burros igual aos macacos?
A ascensão da mídia digital mudou a forma como consumimos informações e como nós raciocinamos. Derreteu o cérebro. Levou a uma queda nas habilidades de pensamento crítico. O resultado que nós temos hoje é uma cultura trivial que se preocupa com o superficial e o imediato, em vez do significativo e de longo prazo.
Quando você pergunta para uma pessoa na rua “Qual é o seu propósito de vida?”, ela não sabe responder. Mas se você perguntar “E aí, você viu lá a história daquele cara que foi chifrado pela noiva no meio do reality show não sei das quantas?”, com certeza ele sabe do que você está falando. Esta é a cultura da trivialidade, da fofoca, da macaquice.
Se nós estamos engajados com coisas que até um macaco consegue entender e interagir, isto é muito preocupante e é a causa de vários problemas que a nossa sociedade enfrenta. Quando você vê abusos sendo cometidos por grandes empresas e por políticos no poder, isso tudo acontece pelo fato das massas terem sido emburrecidas a ponto de não serem capazes de se organizar coletivamente.
O combate à educação e a promoção da cultura de superficialidades é uma estratégia de dominação e controle social. Isso não é por acaso, é planejado. É isso o que nós vimos nos dois episódios anteriores da série Resumo Arata Academy, sobre os livros 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. A gente vai discutir estes dois cenários em mais detalhes ao final, mas pelo momento basta você lembrar que em ambos livros, o povo era dominado por não ter a educação necessária para ser livre.
É importante se importar com isso porque a forma como consumimos informação pode ter um impacto negativo em nossa inteligência e capacidade de pensar de forma independente. Se não formos cuidadosos, podemos nos tornar mais passivos, egocêntricos e dependentes de gratificação instantânea. É importante tomar controle da forma como consumimos informação para que a gente possa pensar criticamente e tomar nossas próprias decisões sobre o mundo ao nosso redor.
E uma das razões pela qual você precisa entender as ideias deste livro é que ele foi publicado em 1985 como uma crítica sobre o impacto da televisão. O autor morreu em 2003, antes da criação de redes sociais como o Orkut e o Facebook. A internet ainda não era popular na época da publicação e podemos dizer que as mídias sociais apresentam os mesmos problemas da TV aberta, porém de forma muito mais poderosa.
4. Está tudo bem em se divertir usando redes sociais, desde que você também desenvolva sua inteligência através de livros. Faça a conta de quanto tempo passa em cada atividade.
Seu valor não está nas bobagens que você consome, mas sim no que você considera importante. Se você der um like em vídeo de gatinho fofinho ou alguma pegadinha tosca, isso diz pouco sobre você. Você mostra ao mundo quem você é através daquilo que você considera importante.
O que é que você considera importante? Como é que você obtém informações sobre o que é importante para você? Eu não estou aqui para impor regras sobre o que você deve fazer ou deixar de fazer. O que eu convido você a fazer é dar uma pausa e pensar por conta própria, decidir por conta própria. Somente VOCÊ pode considerar os perigos do uso excessivo das redes sociais e como elas estão prejudicando nossa capacidade de pensar de forma independente. Depois de fazer esta avaliação é que você pode pensar sobre quais são os passos práticos que você deseja tomar para consumir informações de maneira mais inteligente.
Você precisa medir. E vai medir como? Em quilos? Em metros? Não. Meça por tempo. Meça por minutos.
Então, aqui vai outra atividade prática: comece a monitorar a quantidade de tempo que você passa a cada dia realizando diferentes tipos de atividade. Será que você passa muitas horas discutindo ideologia e brigando com desconhecidos na Internet com argumentos superficiais? Ou passa a mesma quantidade de horas lendo livros e fazendo anotações sobre as suas reflexões mais profundas do que leu e que temas você quer continuar pesquisando com mais profundidade?
Compare a quantidade de minutos que você passa em redes sociais e lendo livros. Será que você é uma das pessoas que para cada cinco minutos que passa lendo livros acaba ficando cinquenta e cinco minutos em redes sociais? Se você quer realmente desenvolver sua inteligência, seria mais adequado fazer o contrário: a cada cinco minutos que fica nas redes sociais, passar cinquenta e cinco minutos lendo livros bons.
Além de medir em minutos, meça também por dinheiro. A cada ano, quanto você gasta de dinheiro com livros e conhecimento? Acha que este valor está compatível com o que diz que é a importância que gostaria de dar? Somente você pode responder e fazer este julgamento.
Está tudo bem usar redes sociais, desde que você entenda que elas possuem a limitação da superficialidade. Para se aprofundar em qualquer assunto é necessário fazer um esforço consciente para ler mais livros e mergulhar em pensamentos profundos que exigem reflexão.
5. Não basta apenas fugir da manipulação do noticiário da TV. Não seja manipulado pelas redes sociais. Crie o hábito de ler bons livros de forma inteligente.
Ultimamente tem ocorrido um fenômeno interessante. Algumas pessoas estão se dando conta que o papel do noticiário da televisão não é de informar, mas sim de entreter, empurrar uma certa narrativa para, no fim das contas, ser uma atividade lucrativa.
Essas pessoas deixaram de assistir televisão para não serem manipuladas, mas infelizmente se tornaram vítimas de outro tipo de manipulação, que vem das redes sociais. Perceba como os livros foram completamente ignorados. Em vez de uma hora diária vendo notícias na televisão, agora eles acompanham até mais que isso de notícias em redes sociais. Porém a quantidade de leitura de livros de qualidade continua zero horas por dia.
O problema não é consumir conteúdo que sabemos que é de distração. O problema é consumir conteúdo superficial acreditando ser importante. Não medimos uma cultura pelo que ela produz de coisas triviais, mas sim pelo que ela considera importante.
Isso significa que não podemos avaliar uma cultura ou sociedade ou um indivíduo só olhando para as coisas bobas e sem importância produzidas, mas sim olhando para as coisas que consideradas importantes e significativas. É como tentar entender quem é alguém olhando só para os brinquedos dela, ao invés de tentar entender quais são os seus valores.
É muito triste ver pessoas brigando com raiva nas redes sociais por causa de ideologias que nem mesmo elas entendem com profundidade. São peões sendo manipulados de maneira a atender os interesses dos grupos que estão por trás daqueles movimentos.
6. Como é que esses movimentos conseguem capturar o coração e a alma dessas pessoas? O segredo é não educar, não ensinar a pensar.
Como é que aquele seu parente, aquele seu amigo que até poucos anos atrás era uma pessoa tranquila de repente se tornou um fanático raivoso por uma ideologia? Infelizmente, as pessoas manipuláveis possuem uma formação intelectual muito fraca.
Todo ser humano precisa de pertencimento, de saber quem é no mundo, de saber seus próprios valores, de ter uma identidade, de ter um propósito.
Quando vivemos em uma sociedade que possui tantos desincentivos à leitura e ao desenvolvimento intelectual, as pessoas se sentem vazias. Seu senso de identidade fica fraco. Combine isso a uma formação intelectual rasa e você tem a fórmula perfeita para seduzir rebanhos que precisam se identificar com a ideologia que continua recrutando novos escravos.
Por isso vale a pena anotar esta poderosa frase: “Não medimos uma cultura pelo que ela produz de coisas triviais, mas sim pelo que ela considera importante”.
Ver um vídeo engraçado de bichinho em rede social é uma trivialidade, é um passatempo. Não existe grande problema nisso. O problema é quando a pessoa é induzida a acreditar que ela está realizando uma atividade importante ao acompanhar os grupos de mensagens para ser noticiado de eventos bombásticos.
Existem pessoas que acompanham de perto influenciadores que não gostam para serem os primeiros a apontar falhas e jogar pedras, pois acham que esta rivalidade dá significado à vida delas. Tem gente que sinceramente acredita que escutar um audiolivro em velocidade acelerada ou acompanhar um podcast cheio de papo furado substitui a leitura profunda de um livro de qualidade.
Não adianta apenas escutar informação acelerada. Não basta apenas ler muitas páginas rapidamente. Em especial se você está diante de um livro que vale a pena ser lido, existem momentos que você precisa fazer uma pausa e refletir. Precisa fazer anotações. Precisa interromper e fazer consultas em outros materiais.
A gente ensina tudo isso em detalhes e com atividades práticas dentro do treinamento avançado Inteligência Arata Academy, que exige que você realize estas tarefas para ser aprovado. É impossível concluir o Inteligência Arata Academy sem realmente colher os benefícios e se transformar em um leitor inteligente. Visite o este link para ver a aula magna.
Precisamos ficar mais cientes do que consideramos importante e significativo na nossa própria cultura e sociedade, e não só nos concentrar nas coisas superficiais e triviais. É fundamental ficarmos atentos a isso porque o que consideramos importante molda a nossa percepção do mundo e nossa capacidade de tomar decisões.
7. Você está tentando se divertir ou se informar? As redes sociais estão atacando nossa cultura e literatura.
O objetivo principal tanto da TV quanto das redes sociais não é educar ou informar, é só fazer dinheiro oferecendo diversão pra gente. Tudo é um mero negócio: eles prendem a sua atenção com conteúdo raso e depois vendem parte dessa atenção para anunciantes. Se você quer aprender algo, se matricule em uma boa escola, leia livros, faça experimentos colocando em prática a teoria que aprendeu.
Se você vai apenas consumir vídeos, escutar podcasts, ver redes sociais, participar de lives, tenha em mente que você não está com a missão de aprendizado, mas sim com a missão de entretenimento. E este entretenimento é produzido para gerar lucro para quem está te entretendo.
Por isso existe um conflito de interesse. O produtor de conteúdo tem a tendência de ser sensacionalista e tenta te segurar o máximo de tempo possível para você ser impactado por anúncios, pois é assim que ele ganha dinheiro. Por isso eles dizem que “uma coisa muito importante está prestes a acontecer e vai causar uma grande crise” ou algo assim. Eles fazem isso simplesmente porque precisam de visualização e de prender você em um estado de constante preocupação.
A gente acaba ficando preso assistindo vídeos e rolando pelas redes sociais porque elas são feitas para nos prender. E com o tempo, a gente cria uma conexão forte entre a gente e as telas, um hábito muito difícil de quebrar.
É tudo só uma estratégia para prender nossa atenção e ganhar dinheiro. Mas é diferente de ler, que exige concentração e pensamento por um longo período de tempo. As redes sociais só nos dão distrações sem profundidade e sem contexto. Este é o motivo pelo qual quando você está grudado na tela do celular e alguém te pergunta “o que você está fazendo?” e daí você responde “nada”. Exatamente. Você não está fazendo nada relevante. Está desperdiçando sua vida, vai ficar se divertindo até a morte, como diz o nome do livro que estamos resumindo.
É por isso que cada vez as pessoas estão lendo menos livros e a superficialidade está aumentando. O entretenimento está se tornando o foco de tudo o que vemos nas redes sociais. Até as notícias são apresentadas como se fossem só para se divertir ou ficar bravo e pular para o próximo conteúdo para nos distrair de novo.
8. Tente pensar do lado de quem produz um conteúdo de rede social e que tipo de conteúdo as plataformas vão privilegiar e dar maior alcance.
Na Arata Academy eu falo muito sobre empatia, em especial sobre como a empatia pode ser uma ferramenta prática que você pode usar para entender melhor o mundo e viver melhor. Por exemplo, o episódio 245 da série Oi! Seiiti Arata, que diz que empatia é uma ferramenta para entender o mundo. Então, vamos agora usar a empatia para entender quem produz conteúdo em redes sociais.
A primeira coisa a se lembrar ao criar conteúdo para as redes sociais é deixar fácil para todos entenderem. Você não quer perder audiência. Então não pode deixar eles sentirem que não estão entendendo qual é o assunto que você está falando. O conteúdo deve ser criado assumindo que a pessoa que está assistindo não sabe nada sobre isso. Trate as pessoas como ignorantes. Dessa forma, não há barreira para a entrada e tudo é suave e divertido.
A segunda coisa é ter certeza de que o conteúdo não é confuso. Você quer tirar a complexidade e explicar tudo de forma simples. O foco deve ser em fazer com que os espectadores se sintam bem, e não desafiar eles intelectualmente.
Finalmente, evite gastar muito tempo com explicações e argumentos. Em vez disso, faça piadinhas, use memes, exiba pedaços selecionados da sua vida pessoal para criar uma sensação de intimidade, conte uma história fácil de entender. Tem que ser tudo bem visual. As imagens e sons devem ser cuidadosamente organizados para agarrar a atenção do espectador e manter essa atenção até o final. O objetivo é manter os espectadores presos, e não confundir eles.
Então, ao criar conteúdo para as redes sociais, você deve manter tudo o mais simples possível, fácil de entender e divertido. Tem que ser raso. Lembre, o objetivo principal é manter a atenção do espectador e fazer esse espectador se sentir bem, e não desafiar ele intelectualmente. E, claro, as imagens e sons são cruciais para tornar o programa visualmente atraente e divertido. Se puder colocar baixaria, fofoca, mexer com as emoções primitivas, melhor ainda. Se você se lembrar disso, vai viralizar!
9. Se você só quer se divertir o tempo todo, nunca vai conseguir aprender o que é importante.
Quando você está seguindo um caminho intelectual, tem que aceitar que nem tudo é para ser divertido. Na verdade, a maior parte do tempo é de bunda sentada na cadeira, se debruçando nos livros, buscando decifrar mensagens que são difíceis de serem compreendidas na primeira leitura. Muitas vezes, você vai precisar recorrer a outras fontes de conhecimento que vão te dar a base necessária para poder compreender aquilo que está tentando ler. Ou seja, dá trabalho. É cansativo. E isso é normal.
Já viu algum vídeo viral de alguém ensinando algo que geralmente é considerado como algo chato, como matemática? Mas o vídeo viraliza porque eles estão fazendo isso com truques de mágica ou outras formas de entretenimento para ensinar? E daí você talvez pensou “Puxa, se meu professor de escola fosse assim divertido, eu teria aprendido melhor”? Bem, é importante alertar que o verdadeiro aprendizado nem sempre deve ser divertido. Ele requer concentração, pensamento profundo e um jeito diferente de usar o cérebro do que se divertir e se entreter.
É importante reconhecer que as redes sociais podem influenciar nossas expectativas sobre como deve ser a educação. Pode ser que a gente comece a acreditar que tudo deve ser divertido e se não for, deve ser evitado. O que é chato não merece um like.
É por isso que muitas escolas privadas e de mensalidades caríssimas estão fracassando em formar seres pensantes. As aulas são todas planejadas para ser divertidas primeiro e a função pedagógica é deixada de lado, como um detalhe. Se a aula é chata, os alunos reclamam para a diretoria e para os pais, que por sua vez também não possuem senso crítico e colocam pressão na escola para que todos os professores sejam engraçados e criativos e encontrem algum jeito de deixar a aula mais divertida.
Mas a verdade é que a educação não é só sobre se divertir. É sobre nos inspirar a explorar mais, a aprender mais, a pensar rigorosamente e profundamente. São processos que levam tempo e esforço e nem sempre são divertidos.
O problema com as redes sociais é que elas podem nos desencorajar a valorizar esses tipos de empreitadas intelectuais. Ao apresentar tudo em forma de entretenimento, elas podem nos fazer acreditar que matemática, física e até mesmo palavras sempre devem trazer diversão. Essa é uma expectativa irreal. A educação deve nos interessar a explorar mais e aprender mais, não nos desencorajar a pensar sobre problemas complicados.
É importante lembrar que a educação deve nos inspirar a pensar criticamente e a nos tornarmos pessoas bem formadas. E isso pode nem sempre ser fácil ou agradável, mas no final das contas é o que é melhor para nós.
10. Em 1984 de Orwell, os livros são proibidos. Porém, em Admirável Mundo Novo de Huxley, ninguém tem interesse em ler.
Agora estamos na melhor parte, que eu guardei para o nosso encerramento. Na verdade, na introdução de “Amusing Ourselves to Death”, Neil Postman discute duas previsões diferentes feitas por dois autores diferentes há muito tempo atrás.
Um autor, George Orwell, pensou que em uma sociedade totalitária, sombria, rígida e controlada por tiranos violentos. Nesse cenário, os livros seriam proibidos e as pessoas não poderiam pensar por si mesmas. Nós discutimos esse livro no nosso episódio 34 da série Resumo Arata Academy.
O outro autor, Aldous Huxley, pensou em uma situação bem diferente, praticamente o oposto. Ele escreveu um livro chamado “Admirável Mundo Novo” onde ele imaginou uma sociedade onde as pessoas estavam sempre se divertindo e felizes. Mas nessa sociedade aparentemente perfeita, ninguém precisava realmente pensar por si mesmo, pois sempre estavam distraídos. Não era necessário proibir livros porque as pessoas simplesmente não estavam interessadas em ler.
A coisa assustadora é que as previsões de Huxley estão se tornando realidade com nosso uso exagerado das redes sociais, televisão e tecnologia de entretenimento. É como se estivéssemos nos entregando a essas distrações e isso está causando um risco de estarmos ficando mais estúpidos com o tempo.
O problema é que estamos cegos para o impacto que isso tem em nós e como todo esse estímulo superficial está moldando o nosso pensamento. Então, a pergunta é: como nos salvamos dessa tragédia?
A solução é ver e questionar o que estamos assistindo. Ao fazer perguntas, podemos entender melhor o impacto que a tecnologia têm em nossas vidas e tomar decisões mais informadas sobre como usar a tecnologia a nosso favor. É importante considerar as desvantagens e como essas tecnologias podem nos libertar e nos restringir. Também devemos pensar em como elas impactam nossa vida política, nosso papel como cidadãos e a responsabilidade de nossos líderes. E o mais importante, devemos nos esforçar para controlar nossas tecnologias em vez de sermos controlados por elas.
Existe um perigo significativo da crescente dependência da sociedade em mídias sociais e tecnologias de entretenimento. Então precisamos ficar mais conscientes e seletivos em nosso consumo. Devemos dar um passo atrás e questionar o que estamos consumindo, para podermos ter mais clareza e assumir o controle sobre o uso da tecnologia. Isso nos ajudará a pensar de forma mais crítica e tomar melhores decisões sobre como usar nosso tempo e atenção.
Então, seja mais seletivo no conteúdo que você consome, bloqueando pessoas e palavras-chave que você sabe que são fontes de informações superficiais.
Priorize a leitura de alta qualidade antes de usar as redes sociais. Faça a contagem de tempo e tenha certeza de dedicar a proporção que você acha ideal para boas leituras e para rede social.
Faça sempre o desafio de procurar pontos de vista opostos para evitar o pensamento de grupo. Redes sociais tendem a criar bolhas e ficamos somente expostos a conteúdos parecidos. Busque aprofundamento dos temas que você acha importante também com a leitura de livros.
Use técnicas de treinamento de inteligência, como a técnica da Rainha Má que eu ensino no Inteligência Arata Academy. Esta técnica basicamente consiste em você explicar para você mesmo as ideias principais dos livros importantes que você lê. Você pode aprender sobre isso e muitos outros acessando o este link
Não deixe a tecnologia te controlar. Lembre sempre que você é responsável por fazer o melhor uso da tecnologia e aprender a controlar essa tecnologia para alcançar seus objetivos.
Vamos tomar conta do nosso uso da tecnologia e não deixar ela nos controlar. Reduzindo a nossa dependência das redes sociais, sendo seletivos e intencionais com as informações que consumimos e priorizando a leitura de livros de qualidade, podemos desenvolver nossas habilidades cognitivas e evitar o impacto negativo de uma constante série de distrações superficiais e imediatas. Vamos buscar por uma cultura de pensamento crítico e envolvimento significativo com o mundo ao nosso redor. Comece agora mesmo visitando este link

