Os governos odeiam dinheiro

A digitalização das moedas está chegando aos governos. Países como Noruega e Suécia extinguiram as notas de dinheiro em espécie e muitos outros estão seguindo o mesmo caminho. Até no Brasil já existe projeto para acabar com o dinheiro de papel.

Mas não é só isso. Os governos também estão criando seu dinheiro digital, conhecido como CBDCs, Central Bank Digital Currency, ou Moeda Digital de Banco Central. Com as CBDCs, não apenas o dinheiro governamental em espécie vai deixar de existir. Uma nova moeda nacional cem por cento digital vai ser criada, aproveitando algumas das inovações trazidas pelas criptomoedas.

Que bom, não é mesmo? Finalmente os governos estão se modernizando! Parece que agora a nossa vida vai ficar mais prática e teremos vários benefícios! Errado.

O dinheiro digital de governos é uma ferramenta de redução de direitos humanos como o direito à liberdade e direito à propriedade. É uma ferramenta de monitoramento e controle social e faz parte de uma guerra contra o dinheiro em espécie, conhecida como War on Cash.

Os projetos de CBDC têm sido apresentados ao redor do mundo como formas mais eficientes de arrecadar mais impostos e aumentar o poder do governo.

Atenção: esse não é um serviço financeiro. Leia o aviso antes de continuar.

1. Os governos não gostam de dinheiro de papel porque não conseguem rastrear para cobrar mais impostos, nem forçar o uso por meio da taxa de juros.

Praticamente todos os países do mundo tributam a renda e várias transações financeiras e usam a taxa de juros para estimular ou desestimular a atividade econômica.

Com a digitalização do dinheiro, ficou muito mais fácil rastrear e cobrar os impostos de cada transação financeira.

Antigamente, por exemplo, você preenchia um formulário em papel declarando no Imposto de Renda o seu patrimônio e os seus gastos. Se você dizia que pagava o equivalente a cem dólares por mês para a escola dos seus filhos e esse pagamento era feito em dinheiro, era muito difícil para o governo conferir tudo. Se você fazia alguma transação e nem declarava, era quase impossível cobrar os impostos. Ou seja, é difícil fazer um controle de transações em dinheiro.

Além disso, o dinheiro em papel não está sob influência direta da taxa de juros. Se o governo impõe juros negativos, ele consegue forçar as pessoas a tirarem o dinheiro investido em títulos públicos e outras aplicações de renda fixa para fazer elas investirem na economia real ou simplesmente gastarem esse dinheiro. Com o dinheiro em papel, esse controle não é tão direto ou imediato.

Por isso os governos odeiam dinheiro em papel e empreendem a War on Cash, a guerra contra o dinheiro em espécie.

Quando o dinheiro está em forma digital nos bancos, o poder do governo de arrecadar impostos aumenta.

No caso dos impostos, por exemplo, os sistemas do governo acompanham praticamente em tempo real as transações financeiras realizadas de forma eletrônica, seja por transferência bancária, cartão de crédito, débito ou PIX. Em muitos casos a cobrança do imposto é feita na hora, de forma automatizada. Não tem como fugir.

Agora imagine se todas as transações do país fossem feitas assim. Desde a compra do seu cafezinho até a aquisição de uma multinacional. O governo teria ainda mais controle sobre quando, quanto e como você gasta cada centavo do seu dinheiro.

Mas é claro que os governantes não admitem isso. Eles sempre dizem que a digitalização do dinheiro vai trazer mais segurança, vai combater o terrorismo, vai impedir a lavagem de dinheiro… Mas o que vai acontecer na verdade é um maior controle do governo sobre o seu dinheiro.

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2. Criar CBDC é uma forma de o governo tentar se apropriar das vantagens das criptomoedas para diminuir a sua liberdade financeira.

Como nós já falamos em outros episódios da série Dinheiro Arata, o bitcoin foi criado após a crise de 2008 e tem um princípio ideológico muito forte por trás: o princípio de dar para as pessoas a soberania sobre o seu próprio dinheiro.

O dinheiro que você ganhou com o seu trabalho deveria ser só seu. Não deveria existir alguém dizendo como você pode ou não pode gastar o seu dinheiro, dizendo que você está proibido de enviar dinheiro para algum lugar, dizendo que durante certas horas da noite você não pode mexer no seu próprio dinheiro.

E principalmente: não deveria existir alguém com o poder de arbitrariamente emitir mais e mais moeda, desvalorizando o dinheiro que você trabalhou tanto para conseguir.

Foi isso que motivou a criação do bitcoin como uma moeda privada e sem uma autoridade central por trás.

Os governos querem criar as suas próprias criptomoedas, para fiscalizar ainda mais a forma como você usa o seu dinheiro, cobrar ainda mais impostos e controlar ainda mais os incentivos para você guardar ou gastar.

É aí que entram as CBDCs, as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais. Ainda não existe um conceito definido sobre o que são CBDCs, pois nenhum país ainda conseguiu implementar essa ideia em larga escala.

Mas você pode pensar nas CBDCs como o governo criando uma moeda cem por cento digital, porém com uma autoridade central ditando as regras. Qual autoridade? O próprio governo.

Você pode se perguntar qual seria a vantagem de criar uma nova moeda se o governo já tem a autoridade para emitir a moeda tradicional. A resposta está em uma só palavra: controle.

Criando do zero uma moeda cem por cento digital controlada pelo banco central, o governo vai ter controle total e absoluto sobre cada centavo de cada transação realizada na história dessa moeda. Desde o primeiro centavo gasto no dia do lançamento até o fim dos tempos. Identificando dia, hora, local, valor, emissor e receptor de cada transação.

Com um controle assim, o governo passa a dominar completamente o seu dinheiro. Imagine o tamanho do poder político e econômico que uma moeda assim proporciona.

Se você for multado, o governo consegue retirar automaticamente o dinheiro da sua conta. Se participar de manifestações, pode ter seu dinheiro congelado. E você somente poderá gastar seu dinheiro em lojas autorizadas. É um cenário distópico com um poder de controle enorme sendo implementado através do dinheiro centralizado.

As CBDCs são anunciadas como algo vantajoso e moderno para as pessoas, mas na prática elas rompem com as duas grandes características das criptomoedas trazidas pelo bitcoin: a descentralização e a privatização.

Bitcoin é descentralizado porque não tem uma autoridade ditando as regras. E bitcoin é privado porque não foi criado, custeado ou mantido por nenhum governo. É uma iniciativa privada, mantida pela própria rede de usuários que compõe o bitcoin.

Enquanto o blockchain das criptomoedas privadas normalmente é aberto para que todas as pessoas possam ver se as regras estão sendo cumpridas, no caso de uma CBDC o banco de dados pode ser fechado. Afinal, o papel de fiscalizar e controlar é só da autoridade central.

Na China, o iuan digital já está sendo testado. No segundo semestre de 2021, a CBDC chinesa movimentou nada menos que o equivalente a oito bilhões de dólares. Nas Olimpíadas de Inverno de Pequim em 2022, os atletas já puderam usar o iuan digital, que hoje é considerada a CBDC mais avançada em termos de implementação.

Mas não é só a China que está de olho nessa ideia. Os Estados Unidos e a União Europeia também pretendem lançar o dólar digital e o euro digital.

Até o Banco Central do Brasil já tem um grupo de estudos para o real digital. No comunicado do Banco Central dá para perceber claramente como a CBDC é apresentada como algo positivo para os cidadãos: redução de custos, segurança e cidadania financeira são alguns dos termos citados. Mas o comunicado também dá uma pista de outros objetivos por trás da moeda estatal digital. Está escrito lá com todas as letras que o real digital pode “criar ferramentas de política monetária”, ou seja, formas de o governo direcionar o uso do dinheiro de acordo com os fins políticos desejados.

Se tudo sair conforme os governos esperam, a tendência é que a CBDC no futuro substitua completamente o dinheiro tradicional. Cada vez menos nós usamos dinheiro em espécie. Nos países de desenvolvimento médio e alto, a maior parte dos pagamentos já é feita de forma eletrônica. Apenas pequenas compras e o comércio informal usam dinheiro em papel. Com uma moeda cem por cento digital emitida pelo governo, aos poucos a transição total vai ocorrer até o momento em que tudo seja feito com a nova moeda digital.

Quando isso acontecer, esteja preparado. O pouco controle e privacidade que você ainda tinha sobre o dinheiro vai simplesmente desaparecer.

3. A guerra contra o dinheiro em espécie é uma forma de implementar por completo a ideia de juros negativos.

O controle sobre os juros básicos da economia é uma forma que os governos têm para estimular ou desestimular a atividade econômica.

Quando a inflação está muito alta, o governo sobe a taxa de juros. Com juros mais altos, as pessoas preferem deixar o dinheiro investido em títulos públicos e outras aplicações de renda fixa para render mais.

Já quando a inflação está baixa e o governo precisa aquecer a economia, ele faz o contrário e baixa a taxa de juros. Com juros baixos, as pessoas têm que investir na economia real: em negócios próprios ou em ações de empresas negociadas em bolsa. Ou então preferem usar o dinheiro para comprar produtos e serviços, já que deixar investido em títulos públicos ou outras aplicações de renda fixa não vai trazer nenhum rendimento e pode até gerar prejuízo.

Isso tudo atinge diretamente quem tem dinheiro governamental em banco, digitalizado. Mas e quem tem dinheiro em espécie, em papel, fora do sistema financeiro e longe do alcance central?

Esse é o principal desafio do governo sobre o dinheiro em papel: como impor taxas nominais de juros negativos aos detentores de papel-moeda que operam fora do sistema financeiro e longe do alcance do banco central?

Hoje em dia, os governos conseguem impor taxas de juros nominais negativas. A imposição é feita pelo banco central em detrimento dos bancos privados, que passam os juros negativos para os seus correntistas.

Essa imposição não fica sem reação. Por exemplo, para aumentar ou pelo menos proteger o patrimônio dos seus pensionistas, um fundo de pensão na Suíça chegou a solicitar o resgate em espécie de milhões de francos suíços para depositar as cédulas em cofres. Em um país com inflação baixa, pelo menos assim o dinheiro fica protegido dos juros negativos impostos para as aplicações em banco. Mesmo assim, alguns bancos simplesmente negaram que o dono do dinheiro pudesse sacar o próprio dinheiro.

Esse exemplo é uma exceção, mas mostra que, na prática, nós não temos o verdadeiro controle sobre o nosso próprio dinheiro. Você sabe bem disso se já tentou enviar uma quantia e teve a operação negada pelo banco, seja por causa do valor, da pessoa para quem estava enviando, do horário ou qualquer outro motivo.

Na guerra da Rússia contra a Ucrânia em 2022, o sistema financeiro russo simplesmente fechou por ordem do governo. A bolsa de valores ficou vários dias sem funcionar. Quem tentou sacar dinheiro encontrou a porta do banco fechada, como já tinha acontecido por exemplo na crise da Grécia em 2015.

Nessas situações, em vez de cliente, você vira refém do banco e do governo. Os valores que hoje estão depositados no banco já são dinheiro estatal digital. Só o dinheiro em papel está fora desse controle. Se as CBDCs forem bem sucedidas e eliminarem o papel-moeda, você vira um refém quase sem saída, pois nunca poderá sacar o seu dinheiro em papel para fazer o que bem entender com ele.

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4. A melhor forma de se proteger do controle das CBDCs é transferindo parte do seu patrimônio para o bitcoin.

Com o dinheiro estatal totalmente digitalizado, você vira um refém quase sem saída. Por que quase? Porque você ainda pode apostar no bitcoin.

O bitcoin foi criado para devolver às pessoas a soberania sobre o próprio dinheiro. Na época, isso foi pensado como uma forma de proteção em relação ao poder do governo de imprimir dinheiro sem nenhum tipo de lastro, desvalorizando o dinheiro que você trabalhou tanto para ganhar.

Com as CBDCs, essa proteção vai se tornar ainda mais importante. Se com dinheiro em papel o governo já tem muito poder sobre o que você pode ou não pode fazer com seu dinheiro, imagine quando tudo estiver digitalizado.

A combinação de banco central e leis de curso forçado que obrigam as pessoas de um país a usarem a moeda do governo gera um ciclo infinito de intervenção do governo no seu dinheiro. A cada crise, a intervenção fica maior. E as crises não param de acontecer.

O bitcoin resolve boa parte desses problemas. Mesmo sendo cem por cento digital, o bitcoin tem um grau de privacidade e liberdade parecido com o que você tem quando usa dinheiro em papel. As transações são criptografadas e não existe nenhuma regra interna sobre limites de transferência, horário de movimentação. Você tem total controle sobre o seu dinheiro.

Por isso, sempre que ouvir que o governo vai criar uma moeda digital oficial, não pense que a finalidade principal é combater o terrorismo, a evasão fiscal ou a lavagem de dinheiro. Não pense que é para facilitar a sua vida ou para trazer para o governo as inovações e vantagens do bitcoin. CBDC, Moeda Digital de Banco Central, é uma ferramenta de controle social e redução de liberdades individuais.

Bitcoin resolve isso e protege seus direitos de liberdade e propriedade e por isso é tão importante aprender como usar bitcoin na prática.

Dinheiro em papel dificulta a vida do governo porque é mais difícil de rastrear, controlar e cobrar impostos. Quando um governo diz que vai criar uma moeda estatal digital, o discurso é de combate a terrorismo e lavagem de dinheiro, mas na prática o resultado pode ser ainda mais controle e impostos sobre o seu dinheiro.

Para se proteger disso, considere transferir parte do seu patrimônio para bitcoin. Com uma criptomoeda descentralizada e sem autoridade central, você consegue se defender dos desmandos do governo sobre o dinheiro que você trabalhou para conseguir.

Mas não saia comprando bitcoin sem saber o que está fazendo. Antes, procure entender como tudo funciona. Para você que tem interesse em saber mais sobre isso, eu te convido a assistir a uma aula especial do treinamento Mãos de Diamante acessando este link