Durante milhares de anos, o ouro serviu como dinheiro. Primeiro o ouro era usado diretamente, como o material usado para cunhar moedas. Depois o ouro foi usado indiretamente, como lastro para uma moeda forte emitida pelo governo.
Porém, o padrão-ouro foi abandonado cerca de cinquenta anos atrás. Dependendo da sua idade talvez você já tinha nascido quando o padrão-ouro foi removido. É muito recente!
Sem padrão-ouro, os governos passaram a imprimir dinheiro sem lastro. O dinheiro hoje é criado com base na fé que temos nos países e por isso é chamado também de dinheiro fiduciário. Fiduciário é o dinheiro sem lastro em um metal precioso, que depende da confiança no governo. O dinheiro fiduciário é uma moeda fraca. E moedas fracas causam vários problemas para a sociedade. Por exemplo, estamos vivendo uma era de inflação alta, guerra cambial, dívidas e muitas crises econômicas.
Uma das piores crises econômicas aconteceu em 2008. A crise começou pelo mercado de imóveis nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo. Foi uma crise que expôs o quanto bancos e governos manipulam a moeda e interferem na vida das pessoas.
E o bitcoin tem o potencial de redirecionar a humanidade rumo ao uso de uma moeda forte.
No final de 2008, um programador usando o pseudônimo de Satoshi Nakamoto enviou um email para uma lista de criptografia. Satoshi anunciou o bitcoin, um sistema de dinheiro eletrônico que não depende de banco central, nem de nenhuma outra autoridade.
O bitcoin tem quase todas as características que faziam do ouro uma moeda forte, e ainda conta com vantagens extras.
Saifedean Ammous comenta sobre essas vantagens em seu livro O Padrão Bitcoin: A Alternativa Descentralizada ao Banco Central. É um livro que apresenta várias ideias sobre economia e o papel do dinheiro nas nossas vidas.
No Resumo Arata Academy de hoje, nós vamos entender as ideias por trás deste livro que defende que podemos ter um padrão-bitcoin parecido com o que tivemos com o padrão-ouro.
Atenção: este é um resumo de um livro. Leia o aviso completo antes de prosseguir.
1. Dinheiro é feito para mover valor através do tempo e do espaço.
Uma curiosidade é que este livro somente fala de bitcoin na segunda metade. Antes disso, O Padrão Bitcoin foca no contexto geral do dinheiro e suas principais funções.
Então, o que é dinheiro? Dinheiro é um instrumento usado para resolver um problema que persiste pela história da humanidade: como mover valor através do tempo e do espaço.
A solução mais simples é a troca direta. A troca direta acontece quando bens valiosos são transferidos entre pessoas. Por exemplo, eu te entrego peixe e você me entrega frutas. O problema é que a troca direta só funciona em grupos pequenos, e depende da coincidência de desejos. Você tem que desejar o que a outra pessoa tem. E a outra pessoa tem que desejar o que você tem.
O dinheiro simplifica a situação. Primeiro, você troca o seu bem por dinheiro. Depois, você troca o dinheiro por qualquer outro bem que uma pessoa queira trocar por dinheiro. Isso se chama meio de troca.
Dinheiro é qualquer bem amplamente aceito como um meio de troca. E diferentes povos já experimentaram diferentes tipos de dinheiro. Alguns deles hoje parecem muito estranhos para nós: miçangas, pedras gigantes e conchas.
Mas a principal forma de dinheiro da história humana é por metais preciosos, especialmente ouro, prata e cobre. Foi assim por mais de dois mil e quinhentos anos, desde a primeira cunhagem de moedas na Grécia Antiga.
Metais preciosos são uma ótima opção de dinheiro porque têm alta vendabilidade através do tempo e através do espaço. Vendabilidade é liquidez. Significa a facilidade com que um bem pode ser vendido sempre que o dono quiser, na quantidade em que quiser, e onde quiser, com pouca perda em seu preço.
A vendabilidade alta, aliada à boa relação entre estoque e fluxo, dá força para a moeda.
2. A força de uma moeda é definida pela relação entre estoque e fluxo. Essa relação indica a capacidade de preservar valor ao longo do tempo.
Metais preciosos são relativamente escassos, duráveis, divisíveis, portáveis e têm valor em si mesmos.
Ouro e outros metais preciosos conseguem manter valor no futuro. Por isso, além de servir como meio de troca, também cumprem uma segunda função do dinheiro, que é servir como reserva de valor.
Uma boa reserva de valor precisa ser uma moeda forte. E o que é que determina a força da moeda? A força da moeda é determinada pela dificuldade de encontrar esses metais preciosos.
Quando é difícil aumentar a oferta de um bem que serve como dinheiro, nós temos uma moeda forte que consegue preservar valor. Ao contrário, quando é fácil aumentar a oferta de um bem que serve como dinheiro, nós temos uma moeda fraca. Para uma explicação mais detalhada você pode ver o episódio dois da série Dinheiro Arata
Uma maneira de entender a força de uma moeda é analisando o modelo de estoque sobre fluxo.
Estoque é a oferta que já existe no mercado. Estoque considera tudo o que já foi produzido de uma moeda e que continua em circulação ou está estocado.
Fluxo é a produção de novas moedas além do estoque já existente. Por exemplo, você pode medir o fluxo anual, que é a quantidade de produção de novas moedas em um ano.
Quanto maior for a razão entre estoque e fluxo, maior é a força de um bem como dinheiro. Ou seja, aquele bem tem uma grande probabilidade de manter seu valor desde que a demanda continue constante.
E por que precisamos entender a força de uma moeda? Existe um problema que é o seguinte:
As pessoas querem preservar a própria riqueza. Por isso, buscam uma moeda que sirva como reserva de valor. Essa compra para estocar moeda forte aumenta a demanda pela própria moeda forte. A grande demanda aumenta o preço. Além disso, o aumento da demanda é uma força de incentivo para os produtores aumentarem a oferta.
É por isso que nem toda moeda é forte. As moedas fracas sofrem o efeito de um aumento de produção, um aumento de fluxo. Por outro lado, a produção de uma moeda forte é sempre difícil.
Para que uma moeda seja forte, deve existir alguma dificuldade em aumentar a oferta. E o ouro, nesse sentido, é uma moeda forte pois não é possível criar ouro com facilidade. O processo de mineração é muito caro e lento com a tecnologia atual.
O fluxo de produção do ouro é pequeno comparado ao enorme estoque de ouro existente. Para um aprofundamento em estoque e fluxo você pode ver o episódio número nove da série Dinheiro Arata.
Nas moedas fracas, acontece o contrário. Veja o caso do atual dinheiro, que é um dinheiro fiduciário. Qual é o motivo do dinheiro do governo ser considerado uma moeda fraca? É que este dinheiro do governo pode ser criado em grande quantidade com facilidade. É um dinheiro com baixa escassez.
A inflação da oferta reduz o valor da moeda, e desvaloriza a riqueza que você trabalhou para juntar. Isso destrói a vendabilidade da moeda através do tempo.
Para constatar a fraqueza da sua moeda atual, compare o que você conseguia comprar com uma nota de cem há dez anos, e o que você consegue comprar hoje com essa mesma nota.
Então, por que nós usamos essa moeda fraca? Basicamente porque somos forçados por lei. Cada país tem a sua lei de curso forçado, ditando quais moedas podem ser aceitas.
O contrário da moeda de curso forçado seria a moeda sonante, uma moeda forte. Moeda forte é aquela que emerge pela escolha livre no mercado, sem imposição de uma autoridade ou de uma lei. A moeda forte tem seu valor determinado pela interação do mercado e não pela imposição governamental.
A moeda de curso forçado só é aceita onde a lei vale. Por isso as pessoas são forçadas a fazer câmbio da moeda de um país para o outro. Já a moeda forte tem alta aceitabilidade. Por exemplo, você consegue vender uma moeda de ouro em quase qualquer lugar do mundo.
3. Moedas mais fortes se transformam em unidade de conta para servir como referência para moedas mais fracas.
A ampla aceitação de um meio de troca permite fazer cálculos de precificação. Então, além do papel de meio de troca e de reserva de valor, o dinheiro tem um terceiro papel: servir como unidade de conta.
Em uma economia sem meio de troca reconhecido, cada produto tem que ser precificado em termos de outro produto.
Por exemplo, se você vive numa ilha imaginária que funciona através do escambo e tem um barco e decide que aceita trocar seu barco por duas vacas. Porém aparece um interessado que não tem vacas… mas te oferece cinquenta galinhas. Será que cinquenta galinhas são equivalentes a duas vacas ou um barco? A ausência de uma unidade de conta deixa o cálculo econômico cada vez mais difícil.
Por outro lado, quando uma economia tem um meio de troca reconhecido, todos os preços de todos os bens são expressos nos termos da mesma unidade de conta.
Uma boa pista de que você está lidando com uma moeda fraca é quando você precisa converter o valor dessa moeda para outro referencial mais forte que serve como unidade de conta. Isso acontece na Argentina, onde algumas pessoas convertem os preços do peso argentino em dólar para entender o verdadeiro preço de um produto.
Até aqui, cobrimos as três funções básicas do dinheiro: servir como meio de troca, servir como reserva de valor e servir como unidade de conta. Essas três funções vão te ajudar a entender melhor o bitcoin.
4. O ouro servia como meio de troca, reserva de valor e unidade de conta. Mas não servia a governos intervencionistas.
Para contextualizar este livro você precisa entender que ele tem ideias alinhadas com a Escola Austríaca de Economia e até faz ataques pessoais a outros economistas que representam o pensamento hoje dominante entre os gabinetes de governo e universidades.
A Escola Austríaca defende o liberalismo econômico quase total, em eliminar ou reduzir a intervenção do governo em questões econômicas. A ideia é que sem a interferência do governo, o mercado iria se autorregular. Isso formaria preços justos, alcançando a efetividade máxima pela livre concorrência.
Dentro deste contexto, existe um destaque ao padrão-ouro que durou mais de dois mil e quinhentos anos.
Quando o padrão-ouro era usado, o dinheiro emitido pelo governo tinha o equivalente em ouro guardado nos cofres. Uma nota de cem representava uma quantidade de ouro equivalente ao valor de cem. E esse ouro deveria existir guardado em um cofre.
Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiu o estado de bem-estar social, em que o governo cuidava das pessoas de forma mais direta. Isso exigia muito dinheiro. Só que o governo não podia criar mais dinheiro sem ter o correspondente em ouro. A solução foi abandonar o lastro em ouro e emitir dinheiro sem lastro. Assim, o padrão-ouro foi caindo até sua extinção na década de 1970.
O padrão-ouro havia viabilizado o comércio em escala global e a acumulação de riqueza. Quando a oferta de dinheiro ultrapassou da quantidade de ouro que os bancos e governos tinham, a moeda foi desvalorizada.
A oferta inflada de dinheiro contraria a lógica do padrão-ouro e destrói a função do dinheiro como reserva de valor. Como nós vimos, um bem funciona como reserva de valor quando ele se valoriza à medida que a procura por aquele bem aumenta. Mas é essencial que a oferta daquele bem não seja inflada a ponto de reduzir o preço.
Devido a suas características naturais, o ouro é quase perfeito como reserva de valor. Ouro é difícil de destruir, mas também é escasso. Pense em todo o ouro minerado no planeta, desde o início da humanidade… quase cinco mil anos. O volume total de ouro minerado é menor do que quatro piscinas olímpicas.
Além de resistente e escasso, o ouro não é fácil de produzir. O único jeito de conseguir mais ouro é pela mineração da crosta terrestre, um processo caro, tóxico e incerto. Nos últimos setenta anos, o estoque de ouro nunca cresceu mais do que uma taxa anual de dois por cento.
Por causa disso, o ouro manteve seu papel monetário ao longo da história. Mesmo com o abandono do padrão-ouro, a reserva de ouro nos bancos centrais de vários países ainda é grande porque eles sabem que o ouro é muito útil como reserva de valor.
5. Somos forçados por lei a usar dinheiro governamental não-resgatável em ouro, uma moeda fraca que destrói nossa riqueza ao longo do tempo.
Depois que o padrão-ouro foi abandonado, nós entramos na era do dinheiro governamental não-resgatável em ouro. Agora, cada governo imprime quanto dinheiro quiser, já que o único lastro de uma moeda é a confiança no governo emissor.
Ao contrário do ouro, o dinheiro governamental pode aumentar rapidamente a sua oferta em comparação com o estoque. Isso causa uma rápida perda de vendabilidade, destruição de poder de compra, e empobrecimento de quem guarda esse dinheiro.
A facilidade de imprimir dinheiro é muito tentadora para os governantes. Os políticos estão no poder temporariamente e precisam de dinheiro para fazer obras e mostrar serviço. Para eles, é muito mais fácil pagar por essas obras emitindo dinheiro do que cobrar mais impostos dos eleitores.
Na década de 1970, o dinheiro governamental não-resgatável em ouro virou padrão na maioria dos países. Desde então, estamos em uma era de grande intervenção do governo na economia. É um modelo que prioriza planejamento central e estimula gastos, ao mesmo tempo em que reduz os incentivos para que os cidadãos poupem dinheiro.
Um marco para essa nova era foi a conferência de Bretton Woods, que aconteceu depois da segunda guerra mundial. Nessa conferência, foi discutido um novo sistema monetário e comercial. Ficou combinado que o dólar seria a moeda global para o comércio. Os bancos centrais negociariam em dólar, evitando o movimento físico de ouro entre os países.
O novo comércio global não tinha uma unidade de conta reconhecida por todos. Isso trouxe de volta o antigo problema da falta de coincidência de desejo. Os consumidores agora tinham que usar mais de um meio de troca. O comprador precisava trocar a sua moeda por dólar e depois trocar o dólar pelo produto final, aumentando os custos de transação.
O resultado foi aumento da inflação, crescimento das dívidas, redução da poupança, e guerras cambiais.
A impressão de dinheiro sem lastro desvaloriza continuamente as moedas. O problema da contínua criação de dinheiro novo é que acontece uma transferência forçada de riqueza. Afinal de contas, o seu dinheiro vale cada vez menos.
Isso leva as pessoas a gastarem cada vez mais, inclusive se endividando, já que ninguém quer pedaços de papel que se desvalorizam com o tempo. Por isso agora precisamos explicar o que é a preferência temporal.
6. Moeda fraca aumenta a preferência temporal e desincentiva as pessoas a pouparem para o futuro.
O consumo é necessário para a sobrevivência. Existe uma tendência natural para que as pessoas valorizem mais o consumo no presente do que no futuro. Afinal, a falta de consumo no presente pode fazer com que o futuro nunca chegue. Por outro lado, o consumo excessivo no presente pode prejudicar o nosso futuro. Mas o que isso tem a ver com a discussão sobre a natureza da moeda?
Um dos aspectos mais importantes de uma moeda forte é que ela incentiva pessoas consumir menos no presente e planejar melhor o futuro. Isso diminui a preferência temporal. Preferência temporal é a razão entre a valorização individual do presente em comparação com o futuro.
Quanto maior é a sua preferência temporal, mais imediatista você é.
Os animais têm uma preferência temporal ainda maior que os humanos. Animais agem para satisfazer impulsos imediatos e têm pouca percepção do futuro. Por isso, quanto mais pensamos e poupamos para o futuro, mais nos distanciamos dos animais. Quando nossos antepassados dedicaram menos tempo à caça imediata para focar na construção de uma arma que tornaria as caças futuras mais produtivas, eles demonstraram baixa preferência temporal.
Quanto menor é a sua preferência temporal, mais você consegue construir um futuro melhor.
A baixa preferência temporal é a essência dos investimentos. Adiamos a gratificação hoje para conseguir algo melhor no futuro. Mas todo investimento carrega o risco de falha. Por isso, o investimento só é feito quando as pessoas têm alguma expectativa de recompensa no futuro.
Todo dia, você participa de transações econômicas com outras pessoas. Mas além de negociar com outras pessoas, você também negocia com você mesmo. Será que você prefere gastar seu dinheiro hoje em algo desnecessário ou prefere poupar para o futuro?
Essas transações que você faz com o seu “eu” futuro são as suas decisões econômicas mais importantes.
Para ter tranquilidade financeira, você tem que conseguir poupar e investir, abaixando a preferência temporal para priorizar retornos futuros.
Mas o retorno depende do valor futuro do dinheiro. Se o dinheiro que você tem no bolso está se desvalorizando e compra cada vez menos a cada dia, então este é um incentivo para você gastar seu dinheiro assim que recebe.
O contrário também é válido: quanto melhor o dinheiro for em preservar valor, mais as pessoas querem poupar.
O governo estimula o consumo em vez de estimular que pessoas adiem gratificações. Cidadãos são influenciados a comprar e comprar, até se endividarem. Este é um dos grandes problemas do dinheiro governamental, que não preserva valor ao longo do tempo por causa da inflação.
Um dinheiro teoricamente ideal teria uma oferta fixa, assim ninguém poderia produzir mais dele. O único jeito de alguém conseguir esse dinheiro seria produzindo algo de valor para alguém em troca de um pagamento. Com todos querendo mais desse dinheiro, todos trabalham mais e produzem mais, levando a uma melhora da sociedade como um todo.
7. Uma moeda forte pode levar ao fim do planejamento estatal excessivo e ao retorno do livre mercado.
No sistema capitalista, existem duas maneiras de alocar capital e tomar decisões sobre quais bens e serviços devem ser produzidos: preços livres ou planejamento governamental. O que você prefere? Deixar o mercado se organizar sozinho? Ou prefere que o governo faça intervenções? Vamos entender de maneira simples esses dois caminhos.
Na teoria do livre mercado, os preços revelam informação. Preços são parte do sistema de informação de produção econômica. É preciso comunicar essa informação de forma objetiva para colaborar e produzir.
Os preços livres são informações pois você toma suas decisões de compra examinando os preços. No mercado livre, esses preços deveriam refletir a composição de todas as condições e realidades.
São os preços que nos ajudam a realizar a divisão do trabalho e a especialização em uma escala global. O jeito mais produtivo de alocar bens de capital é através do mecanismo de preços formados livremente pela lei da oferta e da procura.
Do lado oposto aos preços livres, existe o planejamento governamental. Atualmente, todos os países têm um conselho central de planejamento para o mercado de capital. E os governos interferem bastante na formação dos preços. É por isso que muitos defensores de liberalismo e da Escola Austríaca criticam os economistas do governo… e por isso os economistas do governo desprezam ideias da Escola Austríaca. Isso fica ainda pior quando o debate é infantil, como vimos no episódio 10 da série Dinheiro Arata
A centralização sufoca o mercado livre. Quando preços não são formados livremente pela oferta e pela procura, não existe um jeito racional de definir os usos mais produtivos do capital. E também não há uma forma racional de determinar quanto ou o que produzir.
A dificuldade de um planejamento centralizado é que os governos nunca vão conseguir conhecer as preferências de cada pessoa, nem alocar recursos de maneira que satisfaça essas necessidades. Mesmo se conseguissem, logo depois as necessidades mudariam e o sistema teria que se adaptar novamente.
8. Moeda forte deve dar liberdade individual e soberania sobre o próprio dinheiro. O bitcoin pode fazer isso.
Leia qualquer livro sobre finanças pessoais e você vai encontrar um princípio básico que qualquer pessoa tem que seguir para ser responsável: gaste menos do que ganha.
Quando o dinheiro era lastreado em uma riqueza real como o ouro, os governos tinham que ser fiscalmente responsáveis. Não havia um banco central que pudesse imprimir dinheiro para pagar a dívida do governo. Por isso, os orçamentos públicos tinham que gastar menos do que ganhavam.
É por isso que uma moeda forte favorece a liberdade individual. Se o governo não tem dinheiro para prover um estado de bem estar social, cada pessoa tem que ter responsabilidade individual para trabalhar, poupar e garantir o seu próprio bem estar.
O governo não precisa gerenciar a oferta de dinheiro quando temos uma moeda forte. As próprias pessoas podem fazer isso.
O bitcoin demonstra esse poder com suas características de escassez e emissão controlada pela própria rede. Bitcoin derruba a teoria de que dinheiro é aquilo que o governo determina por lei como dinheiro.
Em poucos anos, o bitcoin alcançou status de moeda. O bitcoin ganhou valor superior à maioria das moedas estatais por causa da sua vendabilidade confiável.
É exatamente o que defende a Escola Austríaca de Economia: a moeda forte surge naturalmente como a mercadoria mais negociável e o ativo mais vendável. A moeda forte é o único ativo que os titulares podem vender com maior facilidade em condições favoráveis, sem interferência do governo.
9. Bitcoin pode ser a solução definitiva para o dinheiro, com vantagens até mesmo sobre o ouro.
O bitcoin é a primeira solução verdadeiramente digital para o problema do dinheiro. Bitcoin resolve as questões de vendabilidade, solidez, resistência à inflação e soberania.
Bitcoin é escasso, divisível e imutável. É emitido por regras fixas, usando decisões automatizadas e pré-programadas que são livres dos caprichos de uma autoridade central. Mesmo sem estrutura administrativa central, o bitcoin é adotado por milhões de pessoas no mundo porque oferece um benefício real a seus usuários.
O bitcoin tem a mesma conveniência que os pagamentos com dinheiro em espécie. Os pagamentos são diretos entre os participantes, que não precisam da confiança de uma terceira parte na transação. Uma pessoa dá o dinheiro para a outra, recebe algo em troca, e pronto. Não há limites ou condições. Não tem ninguém ditando o que você pode ou não pode fazer com o seu dinheiro.
Você consegue entender o problema de centralizar o dinheiro nas mãos de um terceiro de confiança? O problema é que quando o dinheiro é centralizado, ele não é realmente seu. Mandar dinheiro à distância não é nenhuma novidade. Cartões de crédito, transferências bancárias e serviços como o Paypal também permitem transações à distância, porém eles centralizam o pagamento. E você pode a qualquer momento ter seu dinheiro bloqueado, congelado, ser expulso do sistema ou ser forçado a aceitar novas regras e condições.
O bitcoin elimina essas inconveniências. É a própria rede de usuários, com sua lógica programada, que serve como terceiro de confiança.
O bitcoin também foi inovador ao resolver o problema do gasto duplo. Se eu envio um arquivo digital para você por email, agora eu tenho esse arquivo e você também tem uma cópia desse arquivo.
Um dinheiro digital não poderia funcionar assim. O bitcoin resolveu isso com uma sofisticada solução de engenharia de computação. O bitcoin inventou a escassez digital ao permitir que toda a rede verifique os gastos e impeça gastos duplos.
Além disso, o bitcoin foi programado para que sua oferta não pudesse ser alterada por nenhuma parte. Nunca haverá mais do que vinte e um milhões de bitcoins em circulação, não importa o que aconteça. Cada um desses bitcoins é divisível em cem milhões de partes, chamadas satoshis, o que garante que ele seja vendável em várias escalas.
Tudo isso foi conseguido graças a uma combinação de mecanismos que já existiam separadamente, como criptografia, rede distribuída, assinaturas digitais e prova-de-trabalho.
O ouro foi uma inspiração para o bitcoin. Não é por acaso que o processo de geração de novos bitcoins se chama mineração. A mineração de bitcoin é intencionalmente trabalhosa, e requer muitos investimentos. O nível de dificuldade na mineração de bitcoin é ajustado à medida que mais mineradores estejam competindo.
O ajuste de dificuldade é a tecnologia mais confiável para gerar moeda forte e limitar o aumento da razão entre estoque e fluxo. Ao mesmo tempo, é esse trabalho dos mineradores que garante a segurança da rede. Mesmo valendo muito dinheiro, a rede de bitcoin nunca sofreu um ataque de hacker bem sucedido.
Pessoas que compram bitcoin mantém as moedas como reserva de valor. Por isso, o preço continua subindo no longo prazo, entre muitas oscilações de curto prazo. Essa volatilidade de curto prazo acontece porque a oferta de bitcoin é totalmente inflexível, e não responde a mudanças na demanda. Não dá para produzir mais bitcoins só porque tem mais gente querendo. A oferta total de bitcoins está programada para crescer em uma taxa predeterminada e não dá para mudar isso.
A volatilidade assusta muita gente e afasta algumas pessoas do bitcoin. Mas, à medida que o tamanho do mercado cresce, a volatilidade vai se estabilizar. A rede vai atingir um tamanho estável, com fluxos de entrada e saída de fundos relativamente iguais.
10. O bitcoin é o primeiro bem da história com escassez verdadeiramente limitada.
Em quantidade absoluta, quase todos os recursos disponíveis no planeta são praticamente ilimitados para os seres humanos. Nós consideramos que o ouro é escasso, mas nós mal arranhamos a superfície da Terra em busca dos metais preciosos. Quanto mais cavamos, mais recursos encontramos.
O limite de quanto podemos encontrar desses metais não é sua quantidade absoluta. É o custo de oportunidade. A prova disso é que mesmo o ouro, que é o metal mais precioso de todos, foi extraído por milhares de anos, e continua sendo extraído à medida em que a tecnologia avança.
O limite prático da quantidade de qualquer recurso natural é sempre tempo. Ou seja, a quantidade de tempo que um humano pode direcionar para produzir aquele recurso. O tempo em si é o único recurso realmente escasso. Pelo menos até a criação do bitcoin.
Todas as pessoas têm um tempo limitado de vida. Esse tempo limitado causa um dilema na questão de como armazenar o valor que uma pessoa produz com o seu tempo. Você quer que a riqueza que você produz hoje seja preservada para quando você estiver mais velho. Isso só é possível se existir uma moeda forte, com alta razão entre estoque e fluxo.
O ouro tem alta razão entre estoque e fluxo. E o bitcoin terá ainda mais. Com o bitcoin, pela primeira vez na história, nós temos uma mercadoria com oferta estritamente limitada. Não importa o que se faça, nunca haverá mais de vinte e um milhões de bitcoins. Essa quantidade será atingida por volta do ano 2140. Se você tiver bitcoins, vai ter preservado o valor que produziu ao longo do tempo.
Isso só é possível pela escassez digital. Não existia nada no mundo que tivesse conseguido atingir esta taxa de escassez antes do bitcoin.
Por isso o bitcoin é perfeito para servir como reserva de valor ao longo do tempo. O bitcoin é a maneira mais barata de você comprar o futuro, porque o bitcoin tem garantia de não ser depreciado pelo aumento da oferta. Mesmo que mais e mais pessoas queiram bitcoin, a única maneira de atender a demanda é através da valorização da oferta existente.
11. A maior conquista do bitcoin é transformar você no verdadeiro dono do seu dinheiro.
O bitcoin tem a reserva de valor garantida. Mais importante ainda, bitcoin dá a qualquer pessoa o acesso a uma base soberana de dinheiro.
Você pode enviar grandes quantidades de valor pelo planeta sem pedir permissão a ninguém. Você tem a garantia de que esse bitcoin nunca pode ser completamente impedido, destruído ou confiscado por qualquer força do mundo político ou da natureza.
Com o bitcoin, qualquer pessoa pode escapar da influência financeira dos governos em que vivem. Isso é provado quando vemos que o bitcoin é muito usado em países que enfrentam crises financeiras gravíssimas.
Se uma pessoa precisar fugir de um país em crise, só precisa memorizar a sua senha. Isso é mais simples e mais seguro do que tentar atravessar fronteiras com cédulas de dinheiro, ouro, jóias ou cartões. Com o bitcoin, não existe nada que as autoridades possam confiscar.
Nenhum governo tem autorização para emitir bitcoins. E bitcoin não depende do desempenho econômico de um país. Por isso que o bitcoin pode ter o mesmo papel que o ouro desempenhou no padrão-ouro. Daí o título do livro de Padrão Bitcoin. Bitcoin é uma moeda neutra para um sistema internacional. Mais do que servir para pagamentos do dia a dia, no futuro é possível que o bitcoin tenha o papel de lastro, semelhante como no passado havia o lastro em ouro.
Pode ser que os bancos centrais considerem suplementar com bitcoin as suas reservas atuais de ouro e outras moedas fortes. Isso pode funcionar como um seguro dos bancos centrais frente ao sucesso do bitcoin.
Se esse cenário de sucesso se concretizar, o bitcoin pode servir como unidade de conta. Desde o fim do padrão-ouro, o comércio internacional sofre com guerras cambiais, custos de conversão de moedas e outras dificuldades.
Caso o padrão bitcoin se torne realidade, tudo isso pode ficar para trás.
12. A escalabilidade é o desafio final para a implementação do Padrão Bitcoin.
A parte final do livro Padrão Bitcoin é dedicada a responder dúvidas sobre o bitcoin.
O autor esclarece, por exemplo, que a mineração de bitcoin não é um desperdício de recursos e energia elétrica. Pelo contrário, o bitcoin é uma tecnologia que converte eletricidade em registros verdadeiros através do gasto de poder de processamento. Isso garante a segurança da rede. Nós já esclarecemos esse ponto no episódio sete da série Dinheiro Arata.
O livro fala ainda da vantagem de o bitcoin ser imutável, mostrando como outras criptomoedas não conseguiram alcançar o mesmo sucesso. E esclarece a falsa ideia de que o bitcoin é muito usado para atividades ilegais.
Tudo isso é muito interessante, mas a pergunta que muitas pessoas fazem é se realmente o bitcoin consegue dar conta de processar todas as transações financeiras do mundo. Isso exigiria uma escala enorme. Para responder esta pergunta, é necessário entender um pouco sobre a parte técnica.
Existe uma camada base de transações, que também chamamos de pagamentos on-chain que ficam registrados na timechain do Bitcoin. Para alcançar uma escala necessária para processar mais pagamentos, existem novas soluções, como camadas secundárias. É um tema que voltaremos a falar em outros episódios.
A conclusão do livro, publicado em 2017, é bem otimista para o bitcoin. Nada é garantido para o futuro, mas podemos estar diante de uma grande revolução. E precisamos aproveitar essa oportunidade única com o melhor que temos.
Durante milhares de anos, o ouro serviu como lastro para controlar a responsabilidade dos governantes em relação ao dinheiro. O bitcoin pode fazer o mesmo no futuro, e ainda apresentar vantagens extras por ser uma moeda puramente digital.
A ideia de termos um Padrão Bitcoin é animadora. Isso nos faz pensar se podemos voltar para um mundo com moeda forte, com menos intervenção do governo na economia.
Para você se preparar para esse novo mundo, é preciso adquirir conhecimento. Eu te convido a conhecer o nosso treinamento Mãos de Diamante. Neste treinamento, você vai aprender tudo o que precisa saber sobre bitcoin, de um jeito fácil e direto. Você pode conhecer o treinamento Mãos de Diamante agora mesmo, acessando este link

