Você trabalhou muito, economizou, e hoje tem uma boa renda passiva por causa dos seus investimentos. Mas será que o seu dinheiro te garante independência financeira para ficar tranquilo até o final da vida? DEPENDE.
Uma crise financeira pode derrubar o valor da moeda do seu país. De repente, todo aquele dinheiro que você economizou a vida inteira vale muito menos. Por isso, uma dica que muitos investidores usam é medir o poder de compra em termos de dólar, em vez do dinheiro local.
O dólar tem sido a moeda mais forte do mundo há décadas. Por ser tão forte, o dólar é usado como referência, como unidade de conta. Quando você está usando uma moeda fraca de um país em crise, geralmente precisa converter a conta para dólar para entender o quanto aquele dinheiro realmente vale.
Se você não mora nos Estados Unidos, uma pergunta que deve ter quando recebe seu salário é se vale a pena comprar dólar.
Até pouco tempo atrás, a resposta geralmente era um óbvio SIM. “Compre dólar sempre que puder!” Como regra geral, quem vive em um país emergente pode reduzir riscos mantendo uma parte do patrimônio em dólar.
Porém, existem casos em que a resposta é NÃO. “Tome cuidado pois pode ser má ideia comprar dólar!” Depende de qual é o horizonte de tempo, e quais são os outros riscos que você aceita correr. O mundo está passando por grandes mudanças. Se você quer proteger suas economias, é interessante aprender qual o melhor momento e qual a melhor forma para comprar dólares.
Atenção: este não é um serviço financeiro. Leia o aviso completo antes de prosseguir.
1. Para proteger seu patrimônio, você pode guardar dólares ou investir em ativos da economia norte-americana.
A primeira coisa que você precisa entender é que dolarizar suas economias não garante a preservação de capital. O dólar, como todas as moedas, tem o risco de perder valor para a inflação ao longo dos anos.
Porém, se você está vendo este vídeo em países emergentes, como Brasil, Moçambique ou Angola, você corre um risco duplo. Tem o risco do dólar dos Estados Unidos se desvalorizar. E o risco da sua moeda local perder ainda mais valor do que o dólar. Para gerenciar seus riscos, você precisa considerar quais são suas alternativas.
Nos vídeos anteriores da série Dinheiro Arata, te alertamos sobre o perigo de concentrar o seu patrimônio em uma moeda que é controlada pelo governo do seu país. Para diversificar, considere duas opções: (1) tire o dinheiro do seu país, ou (2) tire o país do seu dinheiro.
Vamos primeiro explicar como tirar o dinheiro do seu país. Esta é uma lição especialmente valiosa para países em crise. Basta se lembrar do caso do “corralito” na Argentina. Depois que o governo confiscou a poupança da população em 2001, os argentinos aprenderam que é bom ter uma reserva em dólar. Quando um argentino recebe salário em pesos e logo converte pesos para dólares, ele está tirando o dinheiro do país. Assim, o argentino busca se proteger mantendo seu dinheiro longe do alcance do governo local.
Quando você converte parte do seu dinheiro em moeda estrangeira, você divide o risco: parte do seu dinheiro continua na moeda do seu país. E a outra parte é convertida para a moeda que você considera mais forte. Para ter uma ideia do que é dinheiro forte e dinheiro fraco, veja o episódio dois da série Dinheiro Arata
Mas qual é a melhor forma de dolarizar o seu patrimônio? Você poderia comprar dólares e deixar guardado na sua casa. É isso que muitos brasileiros fizeram na década de 1980 para se proteger da inflação. E é isso que muitos argentinos fazem hoje. O problema é o risco de segurança em deixar dólares em casa.
Uma alternativa é abrir conta bancária no exterior, procurando jurisdições mais seguras. Fazer essa transferência é menos complicado do que parece. Hoje, existem bancos e corretoras nos Estados Unidos, Singapura, Hong Kong, Panamá e outros países com soluções específicas para o público internacional.
Mas você precisa viajar pro exterior para fazer isso? Não necessariamente. Talvez o seu próprio banco local tenha a opção de você comprar dólares e deixar na sua conta. É tudo fácil e prático, sem precisar guardar notas de dólar na sua casa ou viajar para abrir conta.
Alguns consultores de finanças poderiam dizer que todas essas opções têm um problema: você está deixando dinheiro parado. E dinheiro parado tem um custo de oportunidade. Dinheiro parado sempre perde valor para inflação. Pense que esse mesmo valor poderia estar investido e gerando lucros para você.
Uma opção mais arrojada do que comprar dólares, e deixar aquele valor guardado, é adquirir ativos em dólar. Exemplos são ações de empresas americanas, fundos de investimento imobiliário, ou títulos públicos e privados emitidos nos Estados Unidos.
Você se cadastra em corretoras que te dão acesso a mercados internacionais. Depois, investe diretamente lá, seguindo os mesmos princípios que você usa para investir o seu dinheiro no seu país. Assim, você segura ativos dolarizados, em vez de deixar seu dinheiro parado.
Isso é garantia de sucesso? Não! Qualquer investimento possui risco. Além disso, nós não sabemos o futuro do dólar.
2. Para gerenciar seu risco, você precisa considerar o que pode acontecer com o dólar no futuro.
Mover parte das suas economias para dólar é um primeiro passo para reduzir seu risco. Mas a solução para um problema acaba gerando outros problemas.
Ao dolarizar seu patrimônio, existe um risco de você comprar dólar caro, e precisar vender quando o valor do dólar está mais baixo devido à volatilidade do mercado.
Por exemplo, imagine se você tivesse comprado dólar em maio de 2020, pagando seis reais por um dólar. Três semanas depois, o dólar havia caído. Se você tivesse que vender os dólares durante esta queda de valor, teria um prejuízo de vinte por cento.
Geralmente essa é uma janela de tempo curto. No longo prazo, a tendência das moedas mais fracas é perder valor frente ao dólar. Pelo menos enquanto o dólar for uma moeda forte.
O risco atual de um colapso total do dólar é improvável. A economia dos Estados Unidos é a maior do mundo e o dólar ainda tem grande força. Sempre que acontece uma crise repentina, o dólar tem sido até recentemente a escolha dos investidores para servir como “safe haven”, como um porto seguro.
Mas você precisa ter consciência dos riscos que está assumindo. Se olhar para o passado, verá momentos em que a economia da Holanda foi a dominante, até que foi superada pela Inglaterra e, finalmente, pelos Estados Unidos. É natural que o dólar não seja a moeda mais importante do mundo para sempre.
3. O dólar tem sido a moeda mais forte do mundo. Mas isso tem origem em uma situação incomum após a Segunda Guerra.
Hoje, o dólar é a “moeda de reserva internacional” (world reserve currency). Ao redor do mundo, o dólar é usado em negociações, servindo como referência para converter outras moedas.
Por exemplo, imagine que você tem uma empresa no Brasil e está pensando em contratar um programador do Paquistão. Se ele te cobrar mil rúpias paquistanesas por hora, será que o preço está bom? Você pode pesquisar para saber a conversão deste valor para reais, mas tem um problema: o real oscila de preço, e a rúpia paquistanesa também tem a volatilidade local lá no Paquistão. Então, para facilitar, um contrato destes é acertado em cinco dólares por hora.
O dólar é um dinheiro internacionalmente aceito e que serve para entender o valor das coisas. É a função de unidade de conta.
Mas nem sempre foi assim. Entender como o dólar assumiu o papel de moeda de reserva internacional é importante para você gerenciar os riscos de dolarizar parte do seu patrimônio.
No trabalho da Arata Academy, eu não gosto de dar respostas prontas, como “sim, está na hora de comprar dólar!” Prefiro te estimular a pensar por conta própria. Para você tomar essas decisões, você precisa entender um pouco a história do dólar como reserva global.
Tudo começou com a conferência de Bretton Woods, em 1944, perto do fim da segunda guerra mundial. Os países estavam com suas economias devastadas por causa da guerra, e se reuniram para definir regras para o comércio internacional e o sistema monetário mundial.
O economista John Maynard Keynes, da Inglaterra, sugeriu a criação do Bancor, uma unidade de conta global cuja governança teria participação de várias nações. Mas os Estados Unidos tinham outro plano.
Ao final da guerra, os Estados Unidos tinham acumulado cerca de setenta por cento das reservas mundiais de ouro.
Por isso, na conferência de Bretton Woods, os americanos sugeriram atrelar o valor do ouro ao dólar. E as moedas dos outros países ficariam atreladas ao dólar norte-americano.
Em troca, os Estados Unidos deram uma garantia de que esses países poderiam trocar os dólares por ouro quando quisessem.
O que você acha disso? Imagine que você fosse um presidente europeu na mesa de negociação em Bretton Woods. Seu país estava arrasado pela guerra, sem dinheiro, sem ouro, precisando ser reconstruído. Você aceitaria as regras deste novo sistema financeiro mundial?
Os franceses não estavam muito confortáveis com este acordo. Para eles, isso dava aos Estados Unidos um privilégio exorbitante (privilège exorbitant), pois era muito fácil para os Estados Unidos imprimir novos dólares e comprar tudo o que precisavam no comércio internacional. Por outro lado, os franceses tinham que produzir coisas de valor para receber dólares em troca. Mas a proposta americana foi aceita em Bretton Woods, mesmo com essas objeções.
4. O privilégio exorbitante não tem apenas vantagens. Ser uma moeda de reserva internacional atrai o Dilema de Triffen.
Anos depois de Bretton Woods, os países devastados pela guerra já estavam reerguendo suas economias e acumulando reservas em dólar. Algumas vezes, eles faziam a troca dos dólares por ouro. E, com isso, as reservas de ouro dos Estados Unidos foram diminuindo e se distribuindo pelo mundo.
O economista Robert Triffin foi quem primeiro apontou que o sistema adotado em Bretton Woods não era sustentável: uma moeda nacional não deveria servir como reserva internacional. Esse é o Dilema de Triffin: quando a moeda de um país vira reserva internacional, existem necessidades internas e externas que são incompatíveis.
Basicamente, era difícil para os Estados Unidos conciliarem a demanda internacional por dólares e, ao mesmo tempo, manter o valor do dólar equivalente ao ouro. O resultado foi uma perda gradual de confiança no dólar.
Lembra que os franceses tinham reclamado do privilégio exorbitante? O presidente Charles de Gaulle não queria dólares. Ele queria trocar tudo por ouro. E o presidente Georges Pompidou até mandou um navio de guerra francês com a missão de ir para os Estados Unidos resgatar mais ouro para os cofres da França. Já os ingleses pediram que o ouro deles fosse movido do Fort Knox para a titularidade deles no cofre do New York Federal Reserve.
Resumindo, o sistema de Bretton Woods não deu certo. Chegou uma hora que o presidente americano Richard Nixon surpreendeu todo mundo e apareceu na televisão falando que não ia mais trocar dólares por ouro. Era o fim oficial do padrão-ouro na maior economia do mundo, o que teve um efeito cascata em outros países.
Desde então, todas as moedas passaram a ser lastreadas apenas na confiança do governo que emite a moeda. É isso mesmo. O dinheiro na sua carteira, não interessa se é real, peso, dólar ou euro… não tem lastro em ouro. Não tem lados em nada, apenas na palavra do governo de que aquele papel tem valor. Hoje, o valor do câmbio é definido com base na lei da oferta e da procura.
5. Desde 1933, o dinheiro é fiduciário e não tem lastro em nada além da confiança que nós temos no governo.
Em 1933, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, já tinha acabado com o padrão ouro, impedindo cidadãos de trocarem dólares por ouro. No Brasil, o presidente Getúlio Vargas fez a mesma coisa, decretando o fim da paridade da moeda brasileira com o ouro, e o mil-réis passou a depender diretamente da confiança no governo.
O que ficou combinado em Bretton Woods é que os outros países soberanos poderiam manter reservas em dólares e trocar por ouro. Porém, no ano de 1971, Nixon deu o golpe final. Os Estados Unidos não iriam mais honrar o combinado de entregar ouro para outros países que estavam segurando dólares.
Estamos vivendo a era do dinheiro fiduciário (dinheiro fiat) há muito tempo. Fiat não é apenas marca de carro italiano. Fiat em latim significa “que seja feito”. O governo basicamente tem o poder de estalar os dedos e ordenar “que seja feito mais dinheiro”.
Sem o acordo de Bretton Woods, talvez a demanda internacional por dólares diminuísse, certo? Errado. A procura de outros países pela moeda americana seguiu em alta! E uma das razões foi o mercado de petróleo.
6. Os petrodólares mostram como o valor do dinheiro está relacionado a acordos internacionais. E o mundo de hoje passa por conflitos sérios.
O petróleo é a commodity mais valiosa do mundo. Os países que extraem petróleo e vendem no mercado internacional são pagos em dólares americanos, que são conhecidos como petrodólares.
A origem dos petrodólares está em um acordo que a Arábia Saudita fez para ser paga apenas em dólares quando vendesse seu petróleo. Como a Arábia Saudita é a líder da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, outros países seguiram a mesma ideia de só vender petróleo com pagamento em dólar.
Imagine a implicação enorme disso! Todo país ao redor do mundo que deseja comprar petróleo precisa ter dólares! Ou seja: A demanda global por dólares aumentou com os contratos de petróleo denominados em dólar. Em troca desta vantagem, os Estados Unidos dão apoio militar para a Arábia Saudita.
Então, mesmo sem Bretton Woods, até recentemente o mundo continuava utilizando os dólares como principal moeda. E os Estados Unidos têm o privilégio de poder imprimir dinheiro fiat de maneira ilimitada. Este efeito fica ainda mais forte com o petrodólar, já que todos os países do mundo precisam de muitos dólares para ter petróleo.
Mas este sistema começa a dar alguns sinais de fragilidade.
7. Conflitos recentes revelam a “Weaponization of the US Dollar”: o uso do dólar como arma.
Quando sanções econômicas são implementadas e o dólar é usado como arma geopolítica, este é um estímulo para países buscarem alternativas, pois a dependência do dólar cria uma vulnerabilidade.
Por exemplo, em 2012 o Irã foi removido do sistema SWIFT como sanção por descumprir acordos nucleares. Em 2022, a Rússia recebeu a mesma sanção depois de invadir a Ucrânia. O sistema SWIFT padroniza informações financeiras e permite a transferência de dinheiro entre bancos de todo o mundo que participam da rede. Quando um país é banido do sistema SWIFT, os bancos daquele país não conseguem receber, nem enviar, transferências internacionais de dinheiro.
Em uma economia globalizada, esse tipo de sanção é terrível. Por isso, alguns países tentam se prevenir com alternativas. A China, por exemplo, criou o sistema CIPS que ajuda no caso dela ser eventualmente excluída do SWIFT.
Isso significa que países como Irã, Rússia e China podem se mobilizar para criar uma nova moeda de reserva internacional? Não necessariamente. A própria China, que já fez críticas ao sistema atual, é uma das grandes detentoras de dólares. Se o dólar perdesse valor, a China seria prejudicada também. Por outro lado, Ray Dalio avaliou recentemente a tendência da China assumir liderança em uma nova ordem mundial
Outra hipótese que circula é a Arábia Saudita e os países da OPEP deixarem de fazer contratos de petróleo apenas em dólares. Além de uma maior diversidade de moedas em contratos de petróleo, existe uma tendência de algo neutro como o ouro ganhar mais força.
8. O próprio presidente do FED já declarou que o mundo pode ter mais de uma moeda de reserva.
Cada vez mais existem discussões sobre alternativas ao dólar como moeda de reserva internacional. Desde as sanções impostas ao Irã em 2012 até as punições à Rússia em 2022, aumentaram os comentários de como o dólar está deixando de ser a moeda de reserva global.
Em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos em março de 2022, Jerome Powell, presidente do FED, o banco central americano, disse que é possível existir mais de uma moeda de reserva.
Algumas pessoas especulam que pode acontecer um retorno ao uso de ouro. Outros pensam que o bitcoin pode ser usado como uma moeda supranacional. Este tipo de mudança é gradual até que se torna o padrão dominante.
Não se assuste, apenas se prepare. No curto prazo, o dólar continua sendo a moeda mais forte de todas. E você pode usar o dólar para se proteger de riscos se a sua moeda local é fraca ou instável. Porém, para uma análise completa, você precisa levar em conta o risco do futuro do dólar.
Foi por isso que nós fizemos toda esta explicação. O motivo foi te dar uma forma simples de entender a história do dólar, para que você consiga entender o possível futuro.
Cuidado com análises alarmistas. Se alguém te diz que o dólar vai perder a dominância daqui a pouco, isso não significa que você precisa manter todo o seu patrimônio na sua moeda local, que pode ser ainda mais arriscada.
Para tomar decisões de forma consciente, você precisa estudar. Entenda por que é importante ter dólar na sua diversificação. Mas você também precisa manter seu dinheiro no país onde você mora, e onde você paga as suas contas. Acompanhe também as mudanças para saber se, e quando, uma nova moeda vai substituir o dólar como moeda de reserva.
E lembre do ouro. Por milênios o ouro foi valioso. O problema é que é caro transportar ouro internacionalmente e também é caro fazer o armazenamento seguro de ouro. Por isso, o bitcoin é melhor que ouro. Por ser uma moeda sem laços com governos ou países específicos, bitcoin vem ganhando popularidade como melhor reserva de valor do que o dólar, moedas locais e até o ouro. Usando bitcoin, você faz algo mais poderoso do que tirar o seu dinheiro do país. Você tira o país do seu dinheiro.
Você se esforçou tanto para ganhar o dinheiro que conseguiu guardar… Vale a pena um esforço extra de estudar maneiras estratégicas de preservar, proteger e multiplicar o seu patrimônio.
O dólar americano é a moeda de reserva internacional desde a metade do século passado. E deve manter sua dominância pelos próximos anos. Por isso, se você quer proteger o seu patrimônio, você deve ter parte das suas reservas em dólar.
Mas o fato de o dólar ser a moeda de reserva internacional hoje não significa que isso será eterno. Existe cada vez mais concordância de que o ouro será importante para o sistema financeiro global. Porém, o ouro tem desvantagens por ser difícil de ser movido internacionalmente e armazenado. Neste ponto, o bitcoin seria uma excelente alternativa para o futuro.
Por isso, eu te convido a assistir à aula magna do treinamento Mãos de Diamante. A aula mostra as razões para você investir em bitcoin. Para ver a aula agora, é só você acesar este link

