Você está sendo roubado por causa da senhoriagem. Senhoriagem é a remuneração pelo monopólio de emissão de moeda. Quem é que detém o monopólio de criar moeda? É o governo, é o banco central do seu país.
E por que é um monopólio? Se você imprimir dinheiro na sua casa, você vai para a cadeia. Mas os bancos centrais possuem a autorização jurídica para emitir moeda. Por isso é que você está sendo roubado. Quando aumenta a base monetária, ocorre uma diluição do seu dinheiro.
Em uma sociedade livre, se acontece desvalorização da moeda que deveria pagar seu trabalho, você tem o direito de negociar um ajuste para um pagamento maior ou recusar entregar seu produto ou serviço. Ou seja, você consegue se proteger contra roubo.
Mas no caso da senhoriagem, não existe sociedade livre. Existe relação desigual, de subordinação, entre senhor e servo. Você é o servo que deve atender às ordens do senhor feudal, do lorde, do governo. Se esse senhor feudal desvalorizar a moeda, você não tem alternativa pois você não é detentor do poder. Você é forçado a aceitar sem reclamar, caso não queira ser preso. Portanto, na relação de senhoriagem você não consegue se proteger contra roubo. Você recebe menos riqueza. Você perde.
Senhoriagem é o lucro que o governo tem quando emite moeda, ou melhor, a diferença entre o valor do dinheiro colocado no mercado e o custo para produzir e distribuir esse dinheiro.
Por exemplo, imagine que o governo gaste dezessete centavos para produzir uma nota de cem dólares. Os noventa e nove dólares e oitenta e três centavos de diferença representam lucro que o governo teve para emitir esse dinheiro. Lógico que a explicação completa é muito mais complexa e veremos tudo em detalhes em breve.
Mesmo que você nunca tenha ouvido falar em senhoriagem, pode ter certeza que a senhoriagem afeta diretamente o seu bolso. É que o lucro do governo para imprimir dinheiro é uma espécie de imposto indireto, um jeito silencioso de aumentar as reservas do governo às custas do nosso bolso.
Atenção: esse não é um serviço financeiro. Leia o aviso antes de continuar.
1. O dinheiro é criado a partir de endividamento. A dívida é uma maneira de vender o seu futuro para festejar hoje.
E como é que o dinheiro é produzido? Basicamente é por endividamento. Uma entidade central, o banco central, emite títulos de dívida. Esse título diz que o dinheiro emprestado será pago de volta com juros. Quanto mais títulos são emitidos, maior é a dívida do país, a dívida nacional.
Mas quem é que compra os títulos do governo? São os grandes investidores, como bancos e fundos de pensões. A motivação deles é ganhar os juros que estão sendo oferecidos. É através de operações de compra e venda de títulos de dívida que o governo consegue injetar ou recolher dinheiro do mercado.
Agora pare um pouco para pensar. Gostou da ideia de emitir título de dívida? Você poderia começar a falar com seus vizinhos e parentes que você precisa de empréstimos. E assina papéis prometendo pagar o dinheiro com juros. Assim, você está emitindo seus títulos de dívida. Será que é boa ideia?
Se você tentar ser responsável, vai usar o dinheiro que ganhou para investir na sua produtividade. Quem sabe esse era o dinheiro que você precisava para finalmente montar um negócio lucrativo. E daí com os lucros, você consegue pagar a sua dívida e também os juros! Lembre porém que sempre existe incerteza, existe risco, por melhor que seja seu plano.
Mas pior ainda é se você for irresponsável. Numa situação dessas, você mente dizendo que vai investir, mas na verdade usa o dinheiro para fazer festa, comprar um carro de luxo… esse dinheiro emprestado aumenta sua qualidade de vida do dia de hoje, porém está comprometendo seu futuro. Neste caso está óbvio que não é boa ideia ficar endividado.
E não interessa se você tentará ser responsável ou irresponsável. Uma hora você terá que pagar a conta! Com os países, a regra não muda: ao emitir dívida, o país consegue captar dinheiro para gastar mais hoje e com a promessa de que esse valor será pago no futuro.
Tem até a Teoria Monetária Moderna (ou TMM) que diz que não vê nada de errado nisso! Quem defende a TMM diz que como o país tem o poder de imprimir dinheiro, não existe problema em assumir dívida. Basta imprimir mais dinheiro! O que eles ignoram é o efeito inflacionário desta política. Já vamos falar disso.
2. O dinheiro se transformou muito ao longo do tempo. Cada vez existe mais senhoriagem e um roubo de verdadeira riqueza de nossos bolsos.
Veja que tudo isso é muito novo. Nós temos vários vídeos da série Dinheiro Arata em que falamos da história do dinheiro em detalhe. Veja por exemplo o episódio 02 e o episódio 13. Por isso no episódio de hoje vamos falar de forma rápida e simplificada.
Antigamente, uma moeda tinha o valor que ela carregava em metais preciosos. Por exemplo, em Roma o dinar tinha quatro gramas e meio de prata e tinha o mesmo valor dessa quantidade de prata. Porém rapidamente os governantes notaram que podiam determinar por decreto que o valor de face de uma moeda poderia ser diferente do que o valor do material usado para forjar a moeda.
Então, os senhores feudais começaram a misturar outros metais menos preciosos para cunhar as moedas. Só que isso não alterava o valor de face da moeda. Essa diferença entre o valor de face e o valor real em metal precioso era o lucro do senhor feudal. Daí vem o nome senhoriagem.
Entendeu? Imagine um feudo medieval em que o senhor feudal determinou que o dinheiro local será o Draconium. Já é uma arbitrariedade um senhor feudal definir que uma moedinha de ouro de dez gramas vale dez Draconiums. E fica ainda mais arbitrário e criminoso esse senhor feudal determinar que os novos Draconiums serão cunhados em moedas diferentes que contém apenas cinco gramas de ouro porém continuam com o valor de face de dez Draconiums.
Isso tem tudo a ver com o nosso dinheiro hoje em dia. Desde a década de 1970, o dinheiro emitido pelos governos não é mais lastreado em ouro ou em nada além da própria confiança no governo que emite a moeda. Veja mais detalhes no episódio 20 da série Dinheiro Arata O banco central dos Estados Unidos pode emitir quantos dólares quiser, sem ter que se preocupar se existe o valor equivalente em ouro guardado nos cofres do governo norte-americano. E isso vale para praticamente todos os países do mundo, com suas moedas lastreadas materialmente em nada a não ser nossa confiança no governo.
O poder de emitir dinheiro assim é muito vantajoso, ainda mais quando existem leis dizendo que ninguém mais pode emitir moeda e todos têm que aceitar a moeda que o governo emite. Com essa prática, o governante pode obter receita como quiser sem ter que aumentar impostos, o que sempre gera insatisfação no povo.
Mas, se é assim, então por que os governos não emitem o tanto de dinheiro que precisam para pagar as dívidas, fazer obras e atender os desejos da população? Porque se eles fizerem isso, vão acabar gerando muita inflação.
3. A inflação é um tributo indireto. Sem mexer no seu dinheiro, ela tira o seu poder de compra.
Milton Friedman ensinou há muito tempo que a inflação é um tributo indireto. Se você tem mil dólares na sua conta e a inflação aumenta, você continua tendo mil dólares na sua conta. Só que, indiretamente, esses mil dólares agora tem um poder de compra menor do que tinham antes da inflação.
Você pode não perceber, mas na prática a inflação tirou de você parte desses mil dólares. Ou melhor, do poder de compra desses mil dólares.
Quando o governo emite moeda, ele coloca mais dinheiro em circulação no mercado. E todos nós sabemos o que acontece quando existe um excesso de bens de um mercado: desvalorização.
Por isso, há quem diga que a emissão de dinheiro sem lastro é como se fosse um esquema de pirâmide. O governo está desvalorizando o dinheiro que você trabalhou tanto para juntar, diminuindo o seu poder de compra, enquanto garante que o governante vai ter receita para fazer o que ele tem que fazer.
Para impedir que isso aconteça, Friedman sugeriu que a emissão de dinheiro deveria ter uma taxa de crescimento predeterminada. Considerando que o controle do governo sobre a oferta de dinheiro sempre trazia resultados negativos para a economia, ele propôs que essa oferta fosse controlada por regras matemáticas que impedissem abusos por parte dos governantes.
Claro que nenhum governo adotou a ideia de Milton Friedman. Afinal de contas, ninguém vai reduzir o próprio poder por vontade própria. A não ser que fosse um dinheiro sem dono, sem uma autoridade central, sem ninguém para decidir arbitrariamente quando mais moeda deveria ser emitida. Ou seja, a não ser que o dinheiro em questão fosse o bitcoin.
4. Bitcoin usa regras predeterminadas para a emissão de novas unidades e por isso é o único dinheiro sem senhoriagem.
Ao contrário do dinheiro estatal, o bitcoin é uma moeda privada. Ele foi criado por particulares para resolver problemas particulares. Mas isso não significa que o bitcoin tenha dono. Lembre sempre que Bitcoin e cripto são coisas diferentes. Explicamos isso em detalhe no episódio 15 da série Dinheiro Arata
Ao contrário das criptomoedas, o bitcoin é uma rede descentralizada, sem uma autoridade central.
A ideia de Milton Friedman de uma moeda com regras predeterminadas para emissão de novas unidades foi seguida à risca pelo bitcoin. Desde que ele entrou em operação, todos sabem exatamente as regras matemáticas que levam à emissão de novas unidades de bitcoin. E todos sabem que, não importa o que aconteça, nunca haverá mais do que vinte e uma milhões de unidades de bitcoin.
Com isso, o bitcoin usa a tecnologia para ser uma força deflacionária. É por isso, entre outros motivos, que o bitcoin gerou tanta preocupação entre os governos. Pela primeira vez desde a época do feudalismo, os senhores do dinheiro começaram a ver ameaçado o seu monopólio para emitir moeda.
Em um primeiro momento, vários governos tentaram simplesmente usar a lei para proibir o bitcoin. Depois eles viram que isso era muito difícil de se conseguir na prática. O bitcoin é uma força imparável, assim como a internet. Então eles partiram para o segundo passo, que é tentar regular, limitar, controlar o bitcoin. O que também tem se mostrado inútil na prática.
5. Com o bitcoin, não é necessário obter ganhos acima da inflação só para manter o seu poder de compra.
Com as moedas estatais sempre se desvalorizando, toda pessoa que quer manter o poder de compra do dinheiro que conseguiu juntar ao longo da vida precisa arriscar esse dinheiro em algum tipo de investimento.
Na prática, todo mundo tem que entrar no mercado financeiro para no mínimo tentar preservar o poder de compra do patrimônio que juntou. Alguns fazem isso de um jeito mais conservador, apostando em títulos públicos e outras aplicações de renda fixa. Outros tentam caminhos mais arriscados, como o mercado de ações. Mas de um jeito ou de outro, a financialização acaba pegando todos os que querem guardar dinheiro e não ver esse dinheiro sendo corroído pela inflação.
Isso não deveria ser assim. O certo seria você ter a liberdade de simplesmente guardar o seu dinheiro para usar quando bem entendesse, sem ter que arriscar o fruto do seu trabalho em aplicações financeiras que você nem entende bem como funcionam.
Com o bitcoin, é assim. Já que a quantidade total de bitcoin a serem emitidos é limitada e a emissão segue regras predeterminadas, o seu dinheiro em tese não perde valor. Basta que o interesse sobre o bitcoin se mantenha constante ao longo do tempo que ele sempre vai manter o poder de compra, afinal não tem como o bitcoin se desvalorizar por excesso de oferta.
Claro que isso não vale para quem tem visão de curto prazo e está comprando bitcoin na baixa para vender na alta e assim lucrar em moeda nacional. Mas para quem entende realmente o valor do bitcoin e tem visão de longo prazo, ter parte do patrimônio em uma moeda deflacionária é um excelente caminho para manter o poder de compra ao longo do tempo sem ser obrigado a se arriscar no mercado financeiro.
Senhoriagem é o lucro que o governo obtém para produzir e distribuir dinheiro. Ela só é possível por causa do monopólio do governo para emitir moeda oficial.
O bitcoin está acabando com esse monopólio. Pela primeira vez em muito tempo, nós temos uma moeda com lastro e com regras predeterminadas para emissão, o que protege o seu patrimônio contra os efeitos da inflação.
Para saber mais como o bitcoin funciona, eu te convido a assistir agora mesmo a uma aula especial do treinamento Mãos de Diamante. É só você acessar este link

