O fim da globalização

Depois de muito tempo se expandindo, a globalização pode estar perto do fim. E isso tem impacto direto nas suas finanças.

Desde a época das grandes navegações, o comércio entre os países só fez aumentar. Isso se acelerou muito nas últimas décadas. Sob o modelo da Pax Americana, tivemos algumas décadas de relativa paz mundial sob liderança dos Estados Unidos e a globalização parecia ser um processo inevitável, que ia beneficiar todo mundo.

Porém, nos últimos anos, uma série de acontecimentos mudou tudo, como a pandemia, a crise na cadeia de fornecimento, o aumento de governos populistas e a guerra na Ucrânia, a ponto de alguns especialistas dizerem que a globalização como nós conhecemos já acabou.

A tendência agora é desglobalizar. É cada país procurar ser o mais autossuficiente possível com a ajuda dos seus parceiros regionais. E por trás de tudo isso está a desigualdade causada pelo aumento da base monetária. Um aumento que faz o dinheiro que você juntou a vida toda se desvalorizar e ter cada vez menos poder de compra.

Atenção: este não é um serviço financeiro. Leia o aviso antes de continuar.

1. A falta de responsabilidade com o dinheiro aumentou a desigualdade social.

Quando o processo de globalização começou, depois da Segunda Guerra mundial, o dinheiro ainda tinha valor em si mesmo. Durante quase todo esse tempo, o dinheiro da maioria dos países tinha lastro em ouro. O dinheiro realmente valia alguma coisa.

Mas esse padrão-ouro foi sendo aos poucos deixado de lado, sendo completamente abandonado na década de 1970. A partir daí, e até hoje, os países têm liberdade para imprimirem quanto dinheiro quiserem. Já explicamos isso em detalhes no episódio 20 da série Dinheiro Arata

O problema do dinheiro fiduciário é que quanto mais dinheiro no mercado, mais diluída fica uma moeda. A inflação da base monetária faz com que o dinheiro que você ganha tenha cada vez menos poder de compra.

E o pior: sempre que o governo emite moeda, esse dinheiro chega primeiro às mãos das pessoas que estão mais próximas do poder, das pessoas mais ricas. Só depois que elas aproveitam a vantagem de receberem primeiro este dinheiro, inflacionando os preços, é que o dinheiro chega às mãos dos mais pobres.

Nós explicamos esse processo em detalhes no episódio anterior, sobre o Efeito Cantillon, mas podemos resumir esse processo em uma frase: quando o governo cria mais dinheiro, os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres.

Com o aumento da desigualdade entre ricos e pobres, acontece um movimento de populismo, com soluções simplórias e discursos enganosos com o objetivo de conquistar os votos de pessoas insatisfeitas com a economia.

Quando chegam ao poder, políticos populistas reforçam o ciclo da desigualdade. Eles adotam políticas protecionistas que reduzem a concorrência e acabam levando a um aumento nos preços. A inflação aumenta a desigualdade, o que mantém o terreno fértil para o populismo.

Além disso, as redes sociais e seus algoritmos que colocam as pessoas em bolhas e câmaras de eco onde as mesmas ideias ficam reverberando destruíram a cola social que existia quando a comunicação era de um para muitos. Esse problema já era grave, mas ficou muito pior quando veio a pandemia e aumentou ainda mais o tempo que as pessoas ficavam isoladas e consumindo informações pelas redes sociais.

O resultado de tudo isso é o extremismo que estamos vendo nos governos de muitos países. E extremismo é o oposto do que a globalização precisa para se manter.

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2. A globalização não vai sobreviver aos extremismos populistas. Um mundo dividido politicamente causa um mundo dividido economicamente.

O extremismo populista que está no poder em vários países é o contrário do que a globalização precisa para se fortalecer. Com populismo, são usadas políticas protecionistas e de isolamento.

Protecionismo e isolamento é praticamente o oposto da globalização. Em vez de trabalhar em conjunto pelo comércio internacional, o governante protege o seu mercado interno. Em vez de integrar cadeias produtivas e fluxo de capitais e trabalhadores, o governante isola o país.

Alguns consideram que o ponto final da globalização que vivemos desde o fim da Guerra Fria foram as sanções econômicas aplicadas à Rússia. Em níveis nunca antes vistos, essas sanções praticamente excluíram a Rússia da economia global, mostrando o poder excessivo de quem controla o sistema bancário internacional.

Um mundo dividido politicamente não consegue se integrar comercialmente. Para existir comércio entre países, eles precisam ter boas relações, diálogos, entedimentos. Como nada disso vem acontecendo, o que temos hoje é uma tendência à desglobalização.

3. Desglobalização é uma força inflacionária. Quanto mais o comércio internacional piora, menos poder de compra o seu dinheiro tem.

Com a globalização cada vez mais frágil, o que estamos vendo hoje é uma tendência à desglobalização, também chamada por nomes como nacionalização, onshoring, nearshoring, reshore ou friendshore. Todos esses nomes significam apenas maior isolamento entre países ou blocos de países, o que afeta diretamente o seu bolso.

Isso era uma coisa impensável até bem pouco tempo atrás. Há alguns anos, só se falava nos benefícios da globalização, da livre circulação de bens, do comércio internacional… mas tudo isso desandou de um jeito muito rápido.

A pandemia acelerou muito o processo. O isolamento forçado também mostrou a fragilidade da cadeia de fornecimento global. Quando algum país que concentrava boa parte da produção de um certo produto não conseguia mais atender a demanda, o mundo inteiro sofria.

Essa diminuição da oferta levou ao aumento generalizado do preço de vários produtos essenciais, inclusive do petróleo e seus derivados. A inflação come o poder de compra do nosso dinheiro e deixa a população ainda mais insatisfeita, jogando a culpa muitas vezes na globalização.

É aí que políticos populistas e protecionistas começam a falar em desglobalização com mais força. A promessa populista é que o isolamento fortaleceria as nações, que deixariam de ser tão dependentes do que é produzido fora das fronteiras, e ainda geraria mais empregos internamente.

O problema é que isso teria um custo muito grande. Toda essa mudança tem custos e isso se transforma em uma força inflacionária. Fortalecer nações isoladamente significa dar mais poder aos bancos centrais que controlam o dinheiro estatal.

Quanto mais poder fica concentrado nas mãos de quem comanda os países, mais arbitrariedade é feita com a moeda. O resultado é um abuso de poder, com bancos centrais usando afrouxamento quantitativo (Quantitative Easing) para criar mais dinheiro. Essa é uma diluição que significa menos poder de compra para o dinheiro que você trabalhou para ganhar.

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4. Bitcoin é uma alternativa para manter a sua riqueza globalizada mesmo se a integração internacional se enfraquecer.

Agora vamos para a parte prática. O que você pode fazer para proteger o seu dinheiro neste cenário macroeconômico? Como você pode se prevenir caso exista uma política monetária irresponsável do banco central causando uma hiperinflação e enfraquecimento geral da economia? E se as taxas de juros continuarem subindo de modo a derrubar o preço de todas as ações da sua carteira de investimento?

Uma opção é investir parte do seu dinheiro em moedas de outros países com economias mais fortes. Em momentos de crise global, o dólar americano é a alternativa mais recomendada, principalmente quando o FED aumenta as taxas de juros. Falamos disso em detalhes no episódio 20 da série Dinheiro Arata.

Por isso, outra opção menos usual é investir parte do seu dinheiro em bitcoin. O bitcoin é dinheiro de verdade, sem nenhuma autoridade central que possa emitir novas unidades e assim diluir o que você já tem. Como se trata de um bem verdadeiramente escasso, a tendência é que o bitcoin guarde valor mesmo no longo prazo.

Além disso, o bitcoin é um dinheiro sem fronteiras. Ele está na rede, é imaterial, não pode ser confiscado pelas autoridades. Basta você lembrar as suas chaves na memória para usar os seus bitcoins em qualquer lugar do mundo.

O bitcoin não pode ser parado, não pode ser controlado por poucos, não pode ser excluído de um sistema pois ele próprio é o sistema. Com isso, não importa se a globalização desapareça, se a desglobalização total aconteça. Os seus bitcoins por definição vão continuar sendo sempre internacionais, sempre livres das arbitrariedades desse ou daquele governante.

Claro que o estado geral da economia ainda vai influenciar na sua riqueza, mas pelo menos você retira de parte do seu patrimônio uma camada desnecessária de risco. O risco de ter o seu futuro controlado pelas decisões de algumas poucas pessoas que preferem o isolamento à integração global.

A falta de responsabilidade com o dinheiro gera um mundo cada vez mais desigual. Essa desigualdade tem consequências muito sérias, que podem estar destruindo a globalização e deixando os países cada vez mais isolados.

Esse isolamento tem um custo que se reflete nas suas finanças. A inflação destrói o poder de compra do dinheiro que você trabalhou tanto para ganhar, um dinheiro que hoje está completamente à mercê das decisões de governantes que muitas vezes tomam medidas populistas.

É por isso que você precisa agora entender como o bitcoin pode proteger o seu patrimônio dos perigos do cenário macroeconômico. Se você tem interesse real em fazer isso, visite este link para continuarmos essa conversa em um nível mais avançado.