Hipertimesia: você quer uma memória perfeita?

Imagine como seria a sua vida se você tivesse uma memória perfeita, incapaz de esquecer qualquer coisa. Nas provas, você lembraria de todas as respostas. No trabalho, você lembraria de todas as informações que precisa. Na vida, você lembraria dos nomes, aniversários e gostos de todas as pessoas.

Parece incrível. E essa memória perfeita realmente existe. Ela se chama hipertimesia. Mas ao contrário do que possa parecer, ser incapaz de esquecer as coisas não é uma vantagem. A hipertimesia é um grande problema.

Hipertimesia não é o mesmo que memória fotográfica, que seria a capacidade de lembrar tudo o que uma pessoa vê. Essa memória fotográfica costuma aparecer em alguns filmes ou livros, mas nunca foi comprovada pela ciência.

Já a hipertimesia é uma condição mental que existe e já foi comprovada há vários anos. Ela é muito rara e faz com que as pessoas lembrem basicamente de tudo o que elas fizeram, todos os dias, desde que tinham mais ou menos dez anos de idade.

Por isso, se você tem mais de dez anos e não lembra de tudo, você não tem essa memória perfeita. E isso na verdade é uma boa notícia para você.

1. A incapacidade de se esquecer das coisas é um fardo que você não quer carregar.

Memórias perfeitas são interessantes para uma obra de ficção ou para aqueles campeonatos de memorização. Mas na vida real não existe muita vantagem em você se lembrar de qual era a cor da camiseta que você estava usando mais de vinte anos atrás, nem em decorar uma sequência de trezentos números.

Claro que as poucas pessoas que têm hipertimesia acabam aproveitando essa condição rara. Um caso famoso é o de Brad Williams, que usou a memória perfeita para ganhar prêmios em programas de perguntas e respostas na televisão. A história dele virou até documentário e atraiu muita atenção.

Deixando algumas exceções de lado, a verdade é que lembrar de tudo o que aconteceu pode acabar virando um fardo. Imagine você se lembrar de cada vergonha que passou, de cada erro que cometeu, de cada situação triste que teve que enfrentar. É como se o passado fosse sempre presente.

Estudos em pessoas com hipertimesia mostraram que a memória perfeita traz consequências negativas como comportamentos compulsivos, germofobia, necessidade extrema de organização e outros problemas.

Nenhuma dessas pessoas foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo, mas os estudos sugerem que as duas condições têm mecanismos em comum nas mesmas partes do cérebro.

Esses mesmos estudos mostraram também que, para algumas coisas, a memória de quem tem hipertimesia falha igual a memória de pessoas comuns como eu e você. Elas conseguem lembrar de datas, nomes e dados de longo prazo, mas também esquecem o que jantaram ontem ou alguma notícia que viram no jornal da semana passada.

Além disso, elas também têm memórias falsas quando precisam reconstruir cenas do passado. Isso prova que aquelas memórias perfeitas do super detetive do filme só existem mesmo na ficção.

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2. Você não quer se lembrar de tudo. Você só quer recuperar as informações certas no momento certo.

Ter uma memória incapaz de esquecer as coisas pode ser muito ruim. Mas tem uma memória boa, capaz de lembrar das coisas certas na hora certa, pode fazer muita diferença na sua vida.

Se você é estudante, ter uma boa memória ajuda a aprender as matérias, passar nas provas, tirar notas boas.

Se você está procurando trabalho, ter uma boa memória ajuda a passar em testes e concursos, a fazer boas entrevistas de emprego, a se destacar em períodos de experiência.

Se você já está no mercado de trabalho, ter uma memória boa ajuda na parte técnica, pois você lembra das orientações e informações do trabalho, e também na parte social, já que você se lembra dos nomes das pessoas, das datas de aniversário, até dos gostos de cada um.

Se você não nasceu com hipertimesia ou nenhuma outra condição natural sobre a memória, será que dá para melhorar a sua capacidade de memorização? Alguém que nasceu com a memória ruim pode aumentar a capacidade de se lembrar das coisas?

A ciência já mostrou que sim. Lembrar das coisas é uma habilidade. E, como toda habilidade, a memória pode ser treinada, a sua inteligência pode ser treinada. Quanto mais você treina para se lembrar das coisas, mais forte a sua memória fica.

O detalhe é que você não pode treinar de qualquer jeito. Existem muitas técnicas de memorização que você pode praticar para acostumar o seu cérebro a recuperar as informações certas no momento certo.

Repetição espaçada, Método de Loci, mnemônicos… as técnicas são muitas e você pode escolher a que melhor se adapta a qualquer situação. Mas por trás de todas essas técnicas existe um conceito fundamental que você precisa assimilar se quiser realmente melhorar a sua memória: o conceito de curva do esquecimento.

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3. Nosso cérebro foi feito para esquecer. Se você quer se lembrar, precisa ir contra a tendência natural da mente.

Nós gostamos de pensar no cérebro como uma máquina de lembranças, como um lugar onde armazenamos as nossas memórias. Mas a realidade é que o cérebro está mais para uma máquina de esquecer do que para uma máquina de lembrar.

Como os estudos com pessoas com hipertimesia mostram, é inútil e cansativo lembrar de detalhes absolutamente sem importância. Nas pessoas normais, o cérebro de propósito esquece informações antigas e sem importância para se manter saudável, guardando na memória somente informações recentes e importantes.

Hermann Ebbinghaus chamou esse conceito de curva do esquecimento, que mostra o declínio da memória com o tempo para as informações de pouco impacto. Por exemplo, pode ser que você se lembra da roupa que vestiu ontem. Mesmo que essa informação seja pouco relevante, ela ainda é muito recente, por isso você consegue se lembrar.

Mas é bem improvável que você se lembre da roupa que vestiu em um dia qualquer no ano passado. Como era uma informação irrelevante, o seu cérebro esqueceu com o tempo.

Agora, se você teve um dia muito impactante, como o dia em que você casou, ou o dia do nascimento do seu filho, ou o dia em que conseguiu um emprego que queria muito, talvez você se lembre da roupa que estava usando. Mesmo que esses eventos tenham acontecido há muitos anos.

Isso acontece porque como a informação era relevante, o cérebro não esqueceu mesmo com o passar do tempo.

Quando você assimila o conceito de curva do esquecimento, você consegue enxergar o que existe por trás das técnicas de memorização mais famosas e eficientes. Todas elas vão mexer com essas duas variáveis: tempo e relevância.

Na repetição espaçada, por exemplo, a ideia é que você faça revisões periódicas para que a memória seja reavivada sempre que o seu cérebro estiver começando a esquecer. Ela mexe basicamente com a variável tempo.

Já no Palácio de Loci, você associa as memórias a lugares que têm alguma relevância na sua mente, um lugar que você conhece bem. Ela mexe basicamente com a variável relevância.

Por isso, você não precisa ter nascido com uma memória perfeita para conseguir se lembrar das coisas importantes. Basta você treinar com técnica e boa orientação para saber manipular as variáveis de tempo e relevância e assim conseguir recuperar qualquer informação exatamente na hora em que você precisa dela.

Ter uma memória perfeita pode parecer uma vantagem, mas as pessoas com hipertimesia na vida real provam que lembrar de tudo está mais para um fardo. Você não quer se lembrar de tudo, você só quer recuperar as informações certas no momento certo.

Para fazer isso, você não precisa ter nascido com a memória perfeita. Você só precisa treinar a sua memória do mesmo jeito que você treina qualquer outra habilidade que deseja melhorar.

No treinamento avançado Inteligência Arata Academy, nós vamos aprender juntos as técnicas que você pode usar para treinar a sua memória para se lembrar de qualquer informação que você queira resgatar. Você pode assistir a uma aula especial do treinamento agora mesmo, basta acessar este link